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25 anos sem Renato Russo

Renato Russo

Por Jamari França*
Especial para Na Caixa de CD

25 anos sem Renato Russo (27 de março de 1960 —, 11 de outubro de 1996 aos 36 anos). Como pode né, ele, Cazuza, Chico Science… Figuraça, lembro dele no Baixo Leblon recitando sonetos de Shakespeare com seu perfeito sotaque britânico (ele lecionava o idioma) com Ezequiel Neves ao lado vibrando, nossos papos em camarins, ele sempre curioso em saber qual a emoção de ouvir clássicos do rock na época em que saíram.
Uma vez me perguntou sobre “Let It Bleed”, dos Rolling Stones que citava em “Ainda É Cedo”, isso no camarim do Noites Cariocas, no Morro da Urca. No show ele me dedicou a música, disse que eu tinha ouvido quando saiu. No sábado dedicou a mesma canção para meu mestre Ezequiel Neves.
Ele me mandava postcards de Brasília e, quando veio ao Rio pela primeira vez para tocar no Circo Voador (onde mais) fiz uma entrevista em que me contou sobre a cena de Brasília, o tédio da rapaziada, da Rockonha, uma festa de rock em que o convite era uma seda e foi todo mundo preso.
Franzino, Renato tocava um enorme baixo Rickenbacker, Dado Villa Lobos e Marcelo Bonfá com ele. À certa altura pedi que cantasse “Veraneio Vascaína” e um cara atrás de mim reclamou que esta era da banda dele. Olhei e era o Dinho, vocalista do Capital Inicial, que também tocou nesta noite.
Renato encarnava me chamando de O Rei do Rock, Cazuza de Jamaisli França, Lobão de Jamara, a maioria de Jama mesmo.
Renato e a Legião deixaram hinos que ouço até hoje: “Angra dos Reis”, “Vento no Litoral”, “Metal Contra as Nuvens”, “Monte Castelo”, “Há Tempos”, “Sereníssima”, “O Livro dos Dias”, “Longe do Meu Lado”, “L’Avventura”, “Acrilic on Canvas”, “Tempo Perdido” e outras que fazem parte de uma playlist minha e as considero atemporais. É a banda que ouço sempre, mensagens intrigantes, muitas sem rima e sentido pouco claro: “Ausente o encanto antes cultivado, percebo o mecanismo indiferente. Que teima em resgatar sem confiança. A essência do delito, então sagrado em “Livro dos Dias”. Não me preocupo com uma interpretação lógica, apenas vou pela intuição. Outra: “Há tempos nem os anjos tem ao certo a medida da maldade” ou na mesma canção a estrofe angustiante “Disseste que se tua voz tivesse força igual, à imensa dor que sentes. Teu grito acordaria não só a tua casa, mas a vizinhança inteira.” Teria mais coisas, mas já está grande demais, textos grandes assustam leitores.
OBS. Tinha algumas fotos com ele, surrupiadas pela minha ex.
Obs2. Já escrevi aqui boa parte destas informações, mas sempre há “vítimas” novas. hehehe
*Jamari França é uma referência do jornalismo musical para gerações de leitores e jornalistas, entre os quais me incluo. Cobre rock desde 1982 e faz parte da história do BRock tanto quanto as bandas que cobriu. Não deixem de conhecer seu essencial Blog do Jama

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