Música de Concerto

A música perde Nelson Freire

Nelson Freire

Um dos maiores pianistas brasileiros de todos os tempos acaba de nos deixar. Nelson Freire morreu domingo à noite. A causa da morte não foi informada, mas o músico estava recluso em casa desde uma queda sofrida na rua há dois anos que lhe causou grave ferimento no ombro.

Nascido em 18 de outubro de 1944 na cidade mineira de Boa Esperança, Nelson começou a tocar piano aos três anos, surpreendendo a todos ao tocar de memória peças que haviam sido executadas pela sua irmã mais velha, Nelma. Seus principais professores no Brasil foram Nise Obino e Lúcia Branco, que havia estudado com um aluno de Franz Liszt. Fez seu primeiro recital aos 5 anos.

Aos 12 anos, foi o sétimo colocado no Concurso Internacional de Piano do Rio de Janeiro e ganhou do então presidente Juscelino Kubitschek uma bolsa de estudos para ir a Viena ter aulas com Bruno Seidlhofer. Em 1964, Nelson conquistou o primeiro lugar no Concurso Internacional de Piano Vianna da Motta em Lisboa, a primeira de muitas premiações internacionais. Aqui, em 1965, ele interpreta Liszt, Moszkowski, Debussy, Scriabin, Rachmaninoff e Villa-Lobos num especial para a TV alemã:

O pianista deu recitais nas maiores cidades da Europa, Estados Unidos, América Central e do América do Sul, Japão e Israel. Trabalhou com grandes regentes, entre os quais Pierre Boulez, Eugen Jochum, Lorin Maazel, Charles Dutoit, Kurt Masur, André Previn, David Zinman, Seiji Ozawa e Isaac Karabtchevsky.

Apreciador de Frederic Chopin, Nelson foi um dos grandes intérpretes do compositor. Em 1999, Nelson Freire brilhou em Varsóvia com sua leitura para o Concerto para Piano e Orquestra N.º 2 de Chopin, marcando os 150 anos de aniversário da morte do grande músico. Seu CD dedicado às obras do compositor polonês ganhou aclamação unânime da crítica musical internacional. A gravação recebeu o Diapason d’Or e um prêmio “Choc” do Monde de la Musique. Também ficou como 10.º no ranking da revista Répertoire e foi recomendado pela revista Classica.

Apesar de sua genialidade, Nelson Freire era um artista avesso a grandes badalações. O pianista francês Philippe Cassard lamentou a morte do colega. “Um gigante acaba de nos deixar. E todos com ele. Um virtuoso com toque aveludado incandescente, grande gato selvagem do piano com efeito devastador em Rachmaninov e Liszt, lírico em Chopin, Beethoven e Brahms, luminoso em Bach e Mozart. E a dupla mais extraordinária da história que formou a quatro mãos e dois pianos com Martha Argerich? Ele era um homem gentil, tímido, humilde e longe do barulho da mídia. Ele permanecerá por muito tempo um exemplo de integridade musical e profissional elevada ao ponto mais alto. Todos nós o respeitamos, o admiramos, o amamos”, declarou. Veja aqui Nelson Freire e Martha Argerich ensaiando em Bruxelas:

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