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Aldir Blanc, o poeta da canção

Aldir Blanc

O Sesc Parque Dom Pedro II, de São Paulo, apresenta nesta quinta e sexta-feira (11 e 12), das 19h às 20h30, o projeto “Aldir Blanc – Poeta da Canção” com transmissão ao vivo pelo Youtube, com tradução em Libras. Parceiros e intérpretes participam de encontros recheados de músicas de um dos mais importantes compositores brasileiros.

Aldir contava que, ao receber uma melodia, procurava fazer a letra que o autor da melodia desejava. Seu trabalho era servir à música e ao parceiro, mas sempre imprimindo seu estilo ao resultado. João Bosco (coautor de muitos clássicos, como “O mestre-sala dos mares” e “O bêbado e a equilibrista”) e Moacyr Luz (de “Coração do agreste”, “Saudades da Guanabara” e outros) falam hoje sobre as características das letras do parceiro. A conversa terá a mediação do jornalista Luiz Fernando Vianna.

Mas Aldir Blanc não era apenas um poeta. Sua alquimia com as palavras derivava de uma impressionante capacidade de contar histórias que, invariavelmente, se transformavam em canções em formato de crônicas. Ou vice -versa. Um grande exemplo está em “Catavento e Girassol”, inesquecível parceria com Guinga que se tornou a faixa-título do CD que Leila Pinheiro gravou em 1996 reunindo 14 frutos da colaboração mútua. Conhecedores profundos da obra do letrista-cronista, Leila e Guinga conversarão sobre como as letras de Aldir também são autênticos roteiros repletos de cenas em que humor e lirismo convivem harmonicamente, também com mediação de Vianna.

Aldir Blanc Mendes (1946 -2020) foi compositor, letrista e cronista. Médico de formação, com especialização em psiquiatria, ficou célebre como autor de algumas das mais belas letras da música brasileira, como: “Resposta ao Tempo”, “De Frente pro Crime”, “Dois pra Lá, Dois pra Cá”, e “Catavento e Girassol”. Teve canções imortalizadas na voz de Elis Regina, “O Mestre-sala dos Mares” e “O Bêbado e a Equilibrista” entre elas.

Em 50 anos de atividade como letrista e compositor, foi autor de mais de 600 canções. Sua principal parceria se deu com João Bosco, considerada uma das duplas fundamentais da MPB. Além de Bosco, teve parcerias com Guinga, Moacyr Luz, Cristovão Bastos, Maurício Tapajós, Carlos Lyra, entre outros. Como cronista, Blanc escreveu para as revistas O Pasquim e Bundas e os jornais O Globo, Jornal do Brasil e O Dia.

Em 2020, dias após ser internado em estado grave com infecção urinária e pneumonia, morreu em decorrência da covid-19. Sua morte foi muito lamentada no meio artístico brasileiro.

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