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Awurê lança o primeiro álbum e reafricaniza o samba

Awurê

Quem já foi a Madureira ouvir boas rodas de samba certamente já ouviu falar do Awurê. Há três anos acontecia o primeiro encontro do grupo que, desde suas origens, sugere a reafricanização do samba, um reencontro com suas raízes mais aprofundas numa comunhão aquilombada, digamos assim. Neste Dia de Sebastião, o padroeiro da Rio de Janeiro, o projeto completa três anos e presenteia os cariocas com seu primeiro álbum, o EP “Awurê”. O trabalho estará disponível nesta quarta-feira (20) nas plataformas digitais e pode ser assistido aqui:.

“Awuré” traz seis canções inéditas e tem como música de trabalho uma composição de Teresa Cristina em parceria com Raul di Caprio – homônima ao nome do grupo e do álbum – e ainda a participação afetiva e efetiva do Ogan Bangbala que, aos 101 anos, é o mais antigo Ogan vivo no país. Tocando ritmos atravessados pelos tambores de diversas células rítmicas oriundas da riqueza do legado africano, o grupo formado por Fabíola Machado, Arifan Jr., Anderson Quack e Pedro Oliveira resgata a ancestralidade e combate a intolerância com arte.

Awurê
Aos poucos, um encontro de amigos em Madureira se tornou uma concorrida roda de samba e espaço de resistência – Foto: Reprodução

Duas semanas após visita para conhecer o quintal do grupo em Madureira, Teresa Cristina compôs a música de trabalho do grupo, que remete à sensação dela e de seu parceiro Raul di Caprio tiveram. A canção parte de um Ijexá que, aos poucos, chama uma batida eletrônico e a sanfona. “O que o Awurê nos traz é de uma beleza do tamanho que a gente merece! É muito bonito ver a pesquisa que eles fazem, o cuidado que eles têm. A gente chega no lugar e tem uma folha no chão, um repertório pensado no que a gente está vendo. Estou muito feliz em saber que, mesmo na situação que o Rio de Janeiro está, existe um lugar, um grupo, uma intenção de mostrar a beleza da cultura negra. Isso é uma coisa que não dá para falar em muitas palavras. Eu só agradeço”, afirma a cantora e compositora, nossa querida rainha das lives.

“O fim do círculo é sempre recomeço”. O trecho de “Opaxorô”, uma das faixas do EP, é definidor da proposta do grupo em sua estreia fonográfica. “Através deste repertório, consolidamos a construção de toda nossa trajetória, pesquisa sonora e mistura de sons onde os tambores são os catalizadores dessas misturas de ritmos. Um sonho planejado, mas que teve que ser redefinido”, relembra Arifan Jr, ao falar sobre o processo de construção do álbum. “Quando pensamos em lançar o financiamento coletivo, fomos surpreendidos pela pandemia. Nós vivemos de arte, não temos empresários ou patrocínio, e tivemos que fazer muitas escolhas – uma delas foi cancelar a agenda a partir de Março/2020”.

O grupo precisou, forçosamente, mudar toda sua estratégia. “Foi um ano de muito aprendizado e de olhar o que somos não somente como grupo musical, mas também como o que construímos de conceito e identidade”, reforça Arifan sobre o álbum que traz ainda as canções “Filó”, “Oyá Oyá”, “Ponto da Cabocla da Mata” e “Pout-Pourri Samba de Roda”.

O termo ioruba Àwúré faz menção e desejo de boa sorte, bênçãos e prosperidade. Nascido sob a rica influência de ritmos de matriz africana como o samba, ijexá, jongo, samba de roda e toques de candomblé, o Awurê despontou de Madureira para palcos Brasil afora como o Teatro Oi Casagrande, Teatro Rival, Teatro da UFF, Solar dos Abacaxis, Museu Capixaba do Negro e  Prêmio Atabaque de Ouro, entre outros. Feliz aniversário, Awuré! E para entrar no clima, fiquem com dois momentos marcantes do grupo: o clima das rodas mensais realizadas em Madureira até a chegada do covid-19

e uma apresentação no Teatro Rival, a primeira do grupo num teatro, em 4 de outubro de 2019. “O Teatro Rival recebeu nosso primeiro show em um palco. Para nós e para nosso público foi uma emoção muito forte, comemoramos muito essa pequena conquista, foi mais um degrau que subimos nessa jornada profissional com nosso trabalho, depois até fomos para mais uma apresentação no Teatro da UFF, no Centro de Artes e não fosse a pandemia o show teria rodado por muito mais palcos do Rio e do Brasil”, afirma Fabíola.

Fabíola, a voz feminina do Awurê, aceitou o convite do site e gravou um episódio para o podcast Faixa a Faixa comentando cada tema do EP de estreia do grupo.  Até lá!

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