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Beco das Garrafas grita por socorro

Berço da Bossa Nova, do samba jazz e primeiro palco para dezenas de grandes nomes da MPB nos anos 1950 e 1960, o Beco das Garrafas lança uma garrafa ao mar em busca de socorro. A casa acaba de lançar uma campanha de arrecadação na internet para sobreviver à hecatombe cultural espalhada pelo país. “A situação chegou ao ponto de termos que vender os equipamentos de som da casa para pagar as dívidas de manter as lojas com as portas fechadas durante a pandemia”, desabafa a cantora, produtora e sócia Amanda Bravo, sem qualquer previsão de abrir o espaço.

Reativado por Amanda e por seu sócio Sérgio De Martino em 2014, após passar por um período de decadência nos anos 1980, o Beco das Garrafas abrigava o Bottle’s Bar, o Little Club e o Baccara. O local ganhou este nome por causa das garrafas atiradas pelos moradores dos prédios próximos em função do barulho das pessoas que ficavam do lado de fora das duas salas que ficavam completamente lotadas. O espaço interno era intimista mas atraía multidões.

Quadro mostra a galeria de honra da casa: a relação de artistas que se apresentaram no espaço - Foto: Reproduçao
Quadro mostra a galeria de honra da casa: a relação de artistas que se apresentaram no espaço – Foto: Reprodução

O Bottle’s, por exemplo, não comportava mais do que 40 pessoas sentadas mas cerca de 100 se espremiam lá dentro para assistir performances dos grandes nomes da música brasileira da época como Elizeth Cardoso, Dolores Duran, Johnny Alf, Miltinho e Billy Blanco, entre outros. Era o auge do samba-canção.  E do lado de fora músicos novatos como Tom Jobim João Gilberto, Carlos Lyra, Nara Leão, Roberto Menescal e João Donato aguardavam a oportunidade de dar uma ‘canja’ ao lado de seus ídolos no minúsculo e mítico palco.

Filha do lendário violonista Durval Ferreira, um dos pais do sambalanço, Amanda não viu outra saída a não ser organizar um mutirão em nome deste patrimônio da música brasileira. “Muitos negócios já sucumbiram e o Beco não pode ser mais um nessa triste história que estamos vivendo”, apela.

Até o fechamento temporário da casa, em 13 de março, tanto o Bottle’s Bar quanto o Little Club promoviam apresentações diárias com nomes da atual cena instrumental, jovens artistas e shows temáticos, como as noites de Bossa Nova às sextas-feiras comandadas pela própria Amanda. É impensável que o Rio de Janeiro, a capital cultural do Brasil, perca um marco de nossa história musical. Desde sua retomada, o Beco das Garrafas vinha se firmando como atração turística, reunindo visitantes que desejam na mergulhar na atmosfera bossanovista.

Amanda pede aos amigos do Beco que compartilhem o link de doação com o maior número de pessoas possível em suas redes para que a campanha atinja um grande número de pessoas. “Quem sabe nosso apelo não chega aos grandes artistas, formadores de opinião, empresários e o poder público?”, torce Amanda, que estipulou uma meta inicial de R$ 20 mil, o suficiente para pagar as dívidas acumuladas.

“Pedimos que as pessoas façam a doação dentro dos valores que puderem. Temos que fazer uma grande mobilização. E só posso contar com os amigos para reverberar esse pedido de socorro para que o Beco das Garrafas não feche as portas de vez, para nunca mais abrir”, reforça.

Assista, abaixo, o documentário “Beco das Garrafas: O Beco Que Influenciou o Mundo”, produzido por alunos de jornalismo do Centro Universitário Carioca (Unicarioca), em 2016:

3 thoughts on “Beco das Garrafas grita por socorro

  1. 20 mil pra salvar o Beco!? Tem artista ganhando bem mais do que isso fazendo live em casa. Eles tem obrigação de impedir que o Beco feche.

  2. acho q todo mundo precisa aprender a se reinventar durante essa pandemia. a vacina vem uma hora dessas.. bares e casas de show vão ter que fazer delivery, fazer lives, fazer de tudo pra não quebrar. negociar suas dívidas, suas despesas mensais.. é isso! tá todo mundo se virando, pedir dinheiro sem ao menos tentar é assinar sua incompetência em viver.

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