Alternativo

Brasov celebra 20 anos

Parece até que se passaram 20 anos e não é que foram 20 anos mesmo? Nesta sexta (16), a Brasov comemora a data no palco da Kubrick (casa que acaba de abrir na Lapa no lugar do Teatro Odisseia) numa noite que tem tudo para reviver grandes performances no próprio Odisseia e na Casa da Matriz durante as edição das Brazookas comandadas pelo DJ Janot, que abrirá os trabalhos.

Formada por Daniel Vasques (saxofone), Fabiano Krieger (guitarra), Felipe Rocha (trompete), Lucas Marcier (baixo), Raphael Miranda (bateria), Ricardo Dias Gomes (teclado), a Brasov é uma banda errática e com agenda incerta dada aos outros projetos profissionais de seus integrantes. Com os instrumentos de sopro na linha de frente, se distingue por um som dançante e irreverente, típico das fanfarras, que mescla ritmos brasileiros, como a Jovem Guarda e o sambalanço e salsa, afrobeat, jingles, temas de antigos seriados de TV, pérolas do cancioneiro brega e… música cigana do Leste Europeu.

Brasov é o nome de uma pequena cidade romena

O nome é extraído de uma pequena cidade histórica da Romênia. “A Brasov surgiu como um certo estranhamento de repertório, de pegar coisas que eram distantes pra nós e trazer pra perto de alguma forma e desta forma você passar a ter músicos brasileiros com uma formação de banda pop tocado músicas do leste Europeu, tornando essa música acessível a um público completamente novo, sem contar que pegamos músicas consideradas cafonas também”, explica Fabiano Krieger. As performances cheias de teatralidade e irreverência da banda costumam receber convidados que proporcionam momentos divertidíssimos como, por exemplo, Gretchen. Veja o vídeo abaixo de uma apresentação de 2009:

Apesar dos 20 anos de estrada, a Brasov só gravou um álbum até agora e que levou anos para ser gravado: o festejado “Uma Noite em Tuktoyaktuk” (2007) em que a faixas Dorogoj Dlinnoju ganhou lugar cativo nas carrapetas de Janot. Ouça aqui:

O repertório do álbum foi sendo construído à medida que o Brasov fazia suas apresentações ao vivo. As primeiras gravações são de 2001, mas Uma Noite em Tuktoyaktuk só seria finalizado seis anos depois. Ouça o álbum completo e fique parado se for capaz.

CD com releituras de Noel a caminho

Para romper esse hiato, o Brasov está finalizando um CD com releituras de Noel Rosa, com produção de Luis Felipe de Lima. “Esse projeto nasce de uma série de espetáculos produzida pelo Luis Felipe para o CCBB de São Paulo durante as comemorações do centenário de nascimento do Noel. Ele gostou do resultado e sugeriu gravarmos um álbum”, conta Krieger. Mas a versão brasoviana a muito longe da musicalidade do Poeta da Vila. “A nossa identificação com o Noel foi algo que surgiu além da música. Se fosse para ficar na esfera do samba, era melhor que fosse outro grupo”, dispara p guitarrista, para quem muitos tributos acabam reverenciando demais o artista em questão, criando uma certa “artificialidade”. “À medida que fomos mergulhando nas pesquisas, fomos descobrindo o grande zoador que foi o Noel, que fazia, inclusive, muitas piadas de si mesmo. Um cara que não se levava muito a sério, assim como nós”, destaca.

E assim os sambas de Noel foram virando bolero, axé, tango e rockabilly, valendo-se da versatilidade dos músicos. Krieger e Marcier têm experiência na composição de trilhas para o cinema, foram os produtores musicais do programa “Amor e Sexo”, exibido pela TV Globo até recentemente.  Dias Gomes é músico da banda que acompanha Caetano Veloso. Há dois anos todos os integrantes da Brasov correram o país como banda de apoio da atriz e humorista Samantha Schmütz que, aliás, é uma boa cantora.

Serviço

Brasov – 20 Anos + DJ Janot
Kubrick (Av. Mem de Sá, 66 – Lapa)
16/8, a partir das 21h
Ingressos: Primeiro lote (promocional limitado): R$25, segundo lote: R$30 e R$40 (na bilheteria)

 

Deixe uma resposta