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Capinam 80

Capinam

Por Paulo-Roberto Andel

José Carlos Capinam chega aos 80 anos nesta sexta-feira (19) com um sem-número de serviços prestados à arte brasileira, seja em gestões e administrações, seja na produção de shows, seja em sua poesia que marcou a efervescência musical do Brasil em meados dos anos 1960. Além disso tudo, ainda encontrou tempo para as faculdades de Teatro, Direito e Medicina. Uma potência, sem dúvida. E foi na faculdade que conheceu dois sujeitos capazes de mudar a vida de qualquer um para sempre: Caetano Veloso e Gilberto Gil.

Veio 1964, a barra pesou e Capinam foi para São Paulo. Trabalhando com publicidade, então conheceu Geraldo Vandré, Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal. Logo estaria imerso na cena musical paulistana, revendo e atuando com seus velhos amigos baianos, além de interagir com outros craques emergentes da MPB: Nara Leão, Edu Lobo, Paulinho da Viola, Torquato Neto, Jards Macalé e mais uma multidão de talentos. Desde então, produziu para a TV, publicou poesia, dirigiu grandes artistas, editou livros, foi Secretário de Cultura da Bahia e não parou mais.

Apesar da imensa produção avassaladora e multifacetada, a faceta mais conhecida da arte de Capinam está nas letras de música, muitas delas escritas há quase meio século, mas que ainda causam enorme impacto artístico e poético.

Capinam e Jards Macalé: um morcego chegava para incomodar - Foto: Reprodução
Capinam e Jards Macalé: um morcego chegava para incomodar – Foto: Reprodução

Além de todos os nomes acima, o poeta deixou sua marca em trabalhos conjuntos com Fagner, Geraldo Azevedo, Zezé Motta, Roberto Mendes e muitos outros. E é dele a assinatura de uma das canções mais emblemáticas dos tempos da ditadura no Brasil: “Gotham City”, ao lado de Jards Macalé, composta e defendida no IV Festival Internacional da Canção. Jards entrou no palco fantasiado de Batman para interpretá-la e, ainda pouco acostumada à vanguarda, a plateia desceu uma ruidosa vaia.

O tempo tratou de eternizar a canção, que tem um de seus versos a batizar um documentário sobre o próprio Jards (“Um Morcego na Porta Principal”, 2010). Em tempos cada vez mais difíceis do ponto de vista da aridez dialética e intelectual, “Gotham City” parece a cada dia mais atual – e, sem dúvida, traduz muito bem a importância da obra diversificada de Capinam para um país que lhe deve reconhecimento. Ouça aqui a apresentação de Jards no IV FIC:

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