MPB

Cida Moreira nos brinda com seu copo de veneno

cida moreira
Capa do álbum ‘Um Copo de Veneno’ – Foto: Divulgação

Pianista, cantora e atriz, a paulistana Cida Moreira notabilizou-se nos palcos encarnando um papel chamado Dama do Cabaré. A personagem saltou do palco para a tela da TV na série experimental “Um Copo de Veneno, que foi exibida ao longo de 2020 no Canal Brasil. Sob a direção de Murilo Alvesso, que acumula bons trabalhos audiovisuais com músicos, Cida encarna múltiplos personagens que rondam esse cabaré nitidamente inspirado nos musicais do dramaturgo alemão Bertold Brecht (1898-1956). E a trilha sonora da série chega às plataformas digitais com o lançamento de álbum “Um Copo de Veneno” (Kuarup) e a promessa de lançamento do CD físico em março.

Intérprete de voz poderosa, Cida Moreira acompanha-se ao piano em 12 faixas, 11 delas nunca gravadas pela cantora, à exceção da hilariante “Singapura”, de Eduardo Dussek que narra as desventuras de uma cantora decadente. “Essa foi a única canção que eu fiz questão que fosse reencenada para o episódio ‘A Voz’, em que acompanhamos o apogeu e queda de uma diva da MPB. A narrativa ácida e brechtiana de Dussek coube perfeitamente no tablado do programa”, comenta Cida Moreira.

Cida Moreira em ação num dos episódios do seriado 'Um Copo de Veneno' - Fotos de Murilo Alvessa
Cida Moreira em ação num dos episódios do seriado ‘Um Copo de Veneno’ – Fotos de Murilo Alvessa

“Um Copo de Veneno” traz uma reflexão, uma crítica poética com forte viés político e artístico, uma criação libertária, uma ousadia assumida nos tempos atuais. Um copo de veneno para beber num longo gole até o fundo do mesmo copo”, completa a atriz/cantora.

O álbum traz interpretações da cantora gravadas no próprio programa e masterizadas por José Pedro Selistre. Além de “Singapura”, completam o eclético repertório o forró “Avisa” (Tato), o pop rock “Private Dancer” (Mark Knoppler –  um sucesso na voz de Tina Turner), a profética “O Verbo e a Verba” (Lenine e Lula Queiroga) em medley com “Money” (Mamonas), a politizada “Efêmera” (Tulipa Ruiz), “Prezadíssimos Ouvintes” (Itamar Assumpção – grande amigo de Cida), a sofrente “Você me Vira a Cabeça” (Paulo Sérgio Valle e Chico Roque, sucesso na voz de Alcione), a melancólica “Young and Beautiful” (Lana Del Rey, Rick Nowels e Baz Luhrmann), a romântica “Floradas do Amor” (Douglas Germano e Kiko Dinucci), a realística “Marcha Macia” (Siba), a hilariante “Eu Sou a Diva” (André Vieira, Leandro Pardal e Wallace Vianna) e a contundente “La Bala” (Rene Perez, Eduardo Cabra e Rafael Ignacio Arcaut. Versão – Murilo Alvesso), um rap do

duo Calle 13, de Porto Rico. “La Bala” é uma epopeia sobre a cultura armamentista que cabe perfeitamente no Brasil de hoje. Nesta fixa de encerramento, Cida Moreira desnuda as mazelas diárias das nossas comunidades, diante da escalada de um discurso militarista nas políticas públicas. Ouça o álbum:

Cantora ícone da geração conhecida como Vanguarda paulistana anos anos 1980, Cida já estava na estrada há mais tempo. Começou a carreira na década anterior, trabalhando em teatro e musicais. O primeiro disco “Summertime”, gravado ao vivo, foi lançado em 1981 com clássicos do blues e do jazz. De lá pra cá, lançou outros 11 trabalhos, com destaque para os excelentes tributos a Bertold Brecht (“Cida Moreira Interpreta Brecht”, 1988), Chico Buarque (“Cida Moreira Canta Chico Buarque”, 2007) e Cartola (“Angenor”, 2008).

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