Alternativo

Dois Barcos e as angústias de água e terra

Enquanto planeja lançar novos trabalhos no segundo semestre, o trio paulistano Dois Barcos acaba de lançar uma versão em videoclipe para uma de suas composições mais populares. Trata-se de “Submerso” (Elisa Monasterio e Rafaella Petrosino) “, com cerca de 55 mil execuções no Spotify desde seu lançamento n ano passado. Dirigido por Isabela Moreira, Elisa Monasterio e Gabriel B. Ferreira, o vídeo dá forma aos sentimentos de angústia e impotência da faixa que começa com os os sofridos versos “Era raso e mesmo assim / Eu me afoguei / Sem saber onde me apoiar / Eu me afoguei”. São várias referências visuais a situações de transbordamento e a atriz e modelo Maria Clara Roque dança e representa em compasso com o movimento da água, deixando-se levar a um colapso emocional. “Existem momentos de entorpecimentos durante o clipe onde o melancólico começa a se tornar perversamente atrativo. Nós embelezamos e nos alimentamos de nossas tristezas e medos e isso pode se tornar bonito aos olhos”, argumenta a Elisa, guitarra e voz do trio que ainda inclui Rafaella (baixo e voz) e Gabriel (guitarra).

Afogamento no emocional

A relação entre água e terra permeia o trabalho como um todo, mas torna-se mais explícito no clipe cuja fotografia explora os dois elementos em diversas situações, tais como piscina, praia e florestas. “Algumas ideias de cena envolvem projeções, sombras, danças macabras e reflexos distorcidos nos vidros. Colocamos também uma pausa (que também casa com a quebra de instrumental da música) para simbolizar o momento de calmaria que precede os momentos de surto, um último momento de respiração antes de ‘se afogar’ no emocional”, conta Elisa. Assista “Submerso”:

Pop rock com reverb

A Dois Barcos é uma das gratas surpresas da cena indie de São Paulo. “Submerso” faz parte do EP “Pier”, que ainda traz as faixas “Embarque”, “Ritual” e “Autonomia”. Num exercício de autodefinição do som que produz, o trio se vê como uma banda de pop rock, mas com reverb. A união dos três músicos teve início em 2014, quando Elisa e Rafaella mantinham um canal do YouTube dedicado a covers de canções do Paramore, Blink 182, Maroon 5 e Los Hermanos, entre outros. Tudo na base do esquema voz e violão sem maiores pretensões.

Foi com a chegada de Gabriel que o rock alternativo tornou-se uma influência mais marcante. virou influência da Dois Barcos. No início, quando ainda eram um projeto de covers no YouTube, a criação era feita na voz e violão, sem pretensão e com talento. Quando decidiram transformar o que faziam numa banda e passar a ter um trabalho autoral consistente, a colaboração do músico foi decisiva. O processo de concepção, gestação e confecção do EP “Pier”, com suas quatro faixas consumiu dois anos.

“Pier” foi, segundo Elisa, o caminho de uma jornada terapêutica de autoconhecimento. “Não importa o tamanho que seu pier terá, nem o tempo que levará para ser erguido, o objetivo será o mesmo. Andar em linha reta para expandir o horizonte ao navegar”, explica Elisa.

O trabalho de estreia rendeu dois videoclipes antes de “Submerso”. Para o remix da faixa “Ritual”, o vídeo foi criado com o auxílio do jogo The Sims. Nessa versão, a banda utilizou samplers, beats eletrônicos e sintetizadores. Já o segundo clipe foi “Autonomia”, uma das primeiras composições da banda ainda em sua origem.

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