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EP de Davi Moraes traz inédita de Moraes Moreira

Davi e Moraes - Foto: Clarissa Piveta
A capa do EP traz uma foto de Davi criança com o pai - Foto: Divulgação
A capa do EP traz uma foto de Davi criança com o pai – Foto: Divulgação

Honrar os grandes nomes da música brasileira é tarefa obrigatória para as novas gerações. Que o diga Davi Moreira, que acaba de lançar neste dia 5 o EP “Todos Nós”, com uma canção inédita do pai Moraes Moreira (1947-2020), uma das perdas musicais mais sentidas no ano de 2020. É um alento para que gente possa matar um pouco as saudades deste baiano novo e genial. “Além de um pai, eu perdi um parceiro, um professor, o companheiro de estrada, tudo isso junto. Eis que num momento tão difícil, com o país em lockdown, acontece um olhar poético incrível e imensurável para a história por ele deixada! Saído da pequena Ituaçu para viver o sonho da música, primeiro com seus manos dos Novos Baianos, para logo em seguida se tornar o primeiro cantor do Trio Elétrico – junto com Armandinho e a família Dodô e Osmar -, para enfim alçar vôo em uma carreira gigantesca, levando toda essa cultura para âmbito nacional”, comenta.

E Davi seguiu à risca os ensinamentos de Moraes, um dos artistas mais agregadores da MPB, e nesta homenagem cercou-se de  amigos para gravar “Todos Nós”, que traz em sua capa uma foto de um Davi ainda criança recebendo carinho do pai.

E a semente que germinou neste trabalho foi “Aquele abraço do Gil”, uma parceria inédita de Moraes com Joyce Moreno. “Encontrei com Moraes na rua, ali na Gávea – havia muito tempo que a gente não se via. Foi uma coisa rápida e inesperada: ele, parecendo tomado de alguma urgência, disse: ‘vamos fazer uma parceria?’ E horas mais tarde me enviou a letra por e-mail. Adorei, fiz a música na mesma hora e mandei pra ele, que também adorou. Logo em seguida veio o convite do Davi pra gravarmos juntos, e aí está. Só sinto não termos feito outras mais”, lembra a compositora carioca.

Davi chamou o baterista Paulo Braga e o baixista Alberto Continentino e, juntos, os três fizeram uma versão em cima do áudio original, como se fosse uma pré, e Joyce adorou o que ouviu.  “A gente ficou impressionado com a letra, que foi uma das últimas que ele fez. Os primeiros versos dizem: “No meu andar de passista, a minha alma de artista deixa o corpo e voa. Ao exalar-se etérea. Ali mesmo onde a matéria ainda não povoa”.

Algum tempo depois, foi a cantora e compositora quem sugeriu gravá-la: “A Joyce deu uma sacudida muito positiva. Ela me disse: ‘a gente está com a música pronta, porque não gravamos, todo mundo junto, e lançamos um single?” O projeto marca a estreia de Davi Moraes na Biscoito Fino, gravadora que havia lançado álbuns e singles de Moraes. “Contei pra Joyce a minha ideia de gravar mais três canções e lançar um EP. Eu estava sentindo uma necessidade muito grande de fazer uma homenagem ao meu pai, por toda a história de vida que a gente teve junto”.

Depois de “Aquele abraço do Gil”, outra canção inédita entrou na seleção: “Aos Santos”, parceria de Davi Moraes com mais um convidado. “Compus um bolero e mandei para Carlinho Brown, que amou a melodia e profeticamente escreveu em um dos versos: “Fiquei sem respostas, sem tocar na banda”. Era o primeiro ano em décadas que não fui ao Carnaval com meu pai. Em outro verso, ele diz:”Você foi embora, me deixou aos prantos, e apaixonado consultei os Santos”, rimando amor e dor com muita inteireza. Brown veio tocar percussão com a gente e Kassim (que assina a produção do EP) participa no contrabaixo acústico.”

O passo seguinte foi convidar Marina Lima para gravar uma canção de Moraes. “Ela sempre teve uma ligação afetiva com “Davilicença”, ficou maravilhada quando viu meu pai e Armandinho compondo essa música, no dia em que os dois se conheceram”, conta Davi. Marina, que é prima de Marília, mãe de Davi, viu o começo do namoro de seus pais e lembra sempre do jeito doce de Moraes, que a chamava de Marininha.  A gravação aconteceu em São Paulo, em clima intimista: “Eu achei que a gente deveria fazer a música só nós dois, de voz e violão. Ela ficou muito emocionada, eu também”. O resultado é uma faixa descontraída, com aquela batida de violão que remete a Moraes. E o vocal do dueto ficou bem descontraído como se fosse gravado numa reunião ente amigos. Moraes Moreira, certamente, aprovaria

Depois do dueto com Marina, uma inédita que Mu Carvalho compôs em parceria com Tuca de Oliveira, chamada “O cantor das multidões”. “Fiquei muito emocionado quando ouvi a música que eles fizeram em homenagem ao meu pai, então, chamei o Mu para fazer o piano junto com o Dadi no baixo, o Cesinha na bateria e o Marcos Nimrichter no acordeão. Ficou um clima meio A Cor do Som”, destaca.

“Fico feliz de reunir esse time, porque era uma marca dele ter sido gravado por cantoras e cantores incríveis da música brasileira. Acabou que o EP tem esse clima A Cor do Som, Brown, Marina, Joyce, que chegaram naturalmente ao projeto”, conclui Davi, antes de contar o porquê o título “Todos Nós”: “Minha irmã Ciça teve essa ideia, é o nome da primeira música que eu fiz, com uns 10, 11 anos, e que ele acabou me botando pra gravar com a banda dele no disco Bazar Brasileiro. Também porque a família sempre ia junto nas turnês daquela época. Esse nome tem esse significado: não é só um presente meu, mas de todos nós para ele”, explica Davi.

Ouça “Todos Nós” aqui:

 

Foto em destaque: Clarisse Piveta

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