Black Music

Filho de Big Boy organiza live com DJs influenciados pelo pai dos bailes funk

Big Boy e Ademir comandam as carrapetas do Baile da Pesada - Foto: Acervo Pessoal
Arte original do Baile da Pesada, criada pelo ilustrador Albery
Arte original do Baile da Pesada, criada pelo ilustrador Albery

Uma das personalidades mais importantes da rádio brasileira, o DJ e locutor Big Boy marcou toda uma geração de ouvintes dos anos 60 e 70. Hoje seria classificado como um comunicador multimídia e que ditou novos rumos no rádio brasileiro. Em parceria com o DJ Ademir Lemos, criou o Baile da Pesada, considerado o precursor dos bailes funks, eque reunia multidões no extinto Canecão, com muito  rock, pop, soul e R&B. Para celebrar os 50 anos de sua primeira edição, realizada em 12 de julho de 1970, o produtor e DJ Leandro Petersen, filho caçula do radialista, convidou grandes nomes da trajetória do funk para fazer uma live no próximo dia 31, às 19h.

O DJ e produtor Leandro Petersen, filho de Big Boy - Foto: Joana Lebreiro
O DJ e produtor Leandro Petersen, filho de Big Boy – Foto: Joana Lebreiro

O encontro, que vai lembrar as divertidas histórias desses bailes, será transmitido no Youtube, no Mixcloud e na página recém-criada do Facebook, que está sendo atualizada com músicas, vídeos, trechos da voz de Big Boy. “A ideia era fazer um encontro físico, uma grande festa para celebrar esses 50 anos do Baile da Pesada. Mas, com a pandemia, trocamos o evento por uma live para que uma data tão marcante como essa não passasse em branco”, explica Petersen. “Deixamos o baile para o ano que vem, mas na live vamos relembrar a trajetória do Big Boy, seu pioneirismo, seu legado e seus herdeiros. E, claro, vai ter muita música com nomes importantes da trajetória do funk. Estamos planejando quatro horas de baile virtual”, avisa.

A programação desta maratona dedicada a Big Boy inclui um bate-papo sobre a trajetória do funk, que vai reunir Dom Filó, Mr. Paulão, Peixinho, DJ Marlboro, Corello e Leandro Petersen. Das 21h a 1h, haverá um baile virtual com sets de 40 minutos de cada DJ e um set misto, com todos os DJs juntos. O encontro contará ainda com o videografismo dos VJs Rico e Renato Vilarouca e a participação em tempo real da equipe de dançarinos do Club do Soul, que vai interagir com o público para não deixar ninguém ficar parado.

Big Boy - Foto: Acervo Pessoal
Big Boy – Foto: Acervo Pessoal

Com seu estilo irreverente e a minuciosa pesquisa de lançamentos da cena pop internacional, tocados com exclusividade em seus programas, conquistou a juventude da época, sempre saudada pelo inesquecível bordão “Hello, crazy people!”. Nascido em 1º de junho de 1943, Newton Alvarenga Duarte (o Big Boy) começou a garimpar discos quando tinha 20 anos e chegou a reunir 20 mil vinis em sua coleção. Em 1967, foi contratado pela Rádio Mundial, 860 AM, aquisição do grupo O Globo, cujo comando de restruturação havia sido entregue ao jornalista e poeta Reynaldo Jardim. Além de radialista, trabalhou em programas de TV e escrevia colunas sobre música nos principais jornais do país. Com o Baile da Pesada, criou um evento pioneiro e eclético, que tocava os sucessos da Rádio Mundial e da conceituada boate Le Bateau. Quando a temporada acabou, Big Boy adquiriu um moderno aparato de som que era transportado em uma kombi pelos clubes do subúrbio fluminense. De forma intuitiva, ele e Ademir criaram a primeira equipe de som brasileira. O Baile da Pesada levava a música pop para além da Zona Sul do Rio e começou a influenciar e ser influenciado pela periferia.

O funk de James Brown vivia seu apogeu e era comum que equipes de dançarinos ensaiassem seu repertorio de passos para brilhar nas pistas, com seus ternos, pisantes e cabelo black power. Naturalmente o funk foi ganhando espaço maior no baile e Big Boy recorria a seu imenso acervo para sacudir a multidão. Em pouco tempo, a turma do subúrbio se organizou também e criou suas próprias equipes. A partir do sucesso do Baile da Pesada, surgiram equipes que moldaram o movimento Black Rio como a Black Power, Soul Grand Prix, Furacão 2000, Cashbox e diversas outras, dedicadas ao R&B e ao Soul. Big Boy morreu prematuramente aos 33 anos, em 1977, mas seu legado permanece em cada pista de dança do Brasil. Escute aqui uma compilação de várias fitas cassete gravadas pelo internauta e colecionador Eduardo Stersi da Rádio Mundial AM 860 com Big Boy no programa Ritmos de Boate.

 

 

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