Rock

Herbert Vianna homenageia Hendrix em clipe

Herbert Vianna

O paralâmico Herbert Vianna lançou nos últimos dias de 2020 o videoclipe de “Purple Haze”, clássico do repertório de Jimmi Hendrix, uma das canções de seu quarto álbum solo “HV Sessions Vol.1”, lançado em outubro apenas no formato digital. O clipe é uma animação criada pelo premiado Ennio Torresan, do time criativo da DreamWorks. O ilustrador define a animação de inspiração psicodélica como “um amor incompatível entre um pequeno ponto perdido no universo e a intangível mãe natureza, criadora suprema da vida no espaço”. Torresan e Herbert já trabalharam juntos em outros vídeos do artista como “El Macho”, “A Palavra Certa” e “Sinais do Sim”.
Ao falar de Hendrix em video promocional do clipe, Herbert chega a se emocionar, sobretudo quando lembra a curta, porém, marcante trajetória do guitarrista, cantor e compositor americano. “O trabalho indescritível e sobrenatural do Jimmi Hendrix naquele momento, naquela ruptura de culturas, a abertura para sonoridades, atitudes, linguagem e muto especialmente para a cor. O trabalho de Hendrix em coisas como ‘Hey Joe’ e ‘Purple Haze’ foi muito luminoso, muito intenso mas, infelizmente, nos deixou muito cedo”, disse. Confira o clipe aqui:

Capa do excelente 'HV Sessions Vol. 1', de Herbert Vianna
Capa do excelente ‘HV Sessions Vol. 1’, de Herbert Vianna – Foto: Divulgação

As dez canções de “HV Sessions Vol. 1” foram gravadas entre 2010 e 2011 quando Herbert preparava seu terceiro álbum, “Victoria” (2012). “Eram dois projetos distintos: um álbum com algumas canções que Herbert compôs para terceiros e alguns lados B dos Paralamas; e outro com as canções que ele disse que gostaria ter escrito, trabalhos que moldaram sua trajetória como músico”, destaca o produtor Chico Neves.

E que outras músicas seriam definidoras da verve musical de nosso herói? Há também versões para “Pinball Wizard” (The Who), “While My Guitar Gently Weeps”  e “And I Love Her “ (Beatles), “Sunshine of Your Love” (Cream), “Tempted” (Squeeze), “Opportunity” (Elvis Costello), “There’s A Kind Of Hush” (The Carpenters), “Wichita Lineman” (Glen Campbell), “Sunshine of Your Love” (Cream) e “Europa” (Santana). Em estúdio, Chico e Herbert revezaram-se em todos os instrumentos, à exceção de Daniel Jobim que toca o minimoog em “Pinball Wizard”.

Herbert e o produtor Chico Neves durante as gravações de 'HV Sessions Vol. 1' - Foto: Gustavo Stephan/Divulgação
Herbert e o produtor Chico Neves durante as gravações de ‘HV Sessions Vol. 1’ – Foto: Gustavo Stephan/Divulgação

Todas essas músicas têm em comum o fato de terem sido produzidas num período muito específico da vida de Herbert (anos 1960 a 1980) e que se misturam às audições das fitas gravadas por seu pai, as primeiras incursões ao violão, o impacto causados por certos nomes do rock e, é claro, a descoberta da magia que é o casamento entre música e letra, entre a junção de notas musicas e a palavra cantada.

Do alto de uma longa convivência com Herbert, tendo produzido álbuns dos Paralamas, Chico Neves observa que é muito fácil trabalhar com o músico. “Herbert é muiti focado. Chega no estúdio já sabendo o que quer. A base dos arranjos era a maneira com que ele toca essas canções quando está em casa. Com as bases de voz e violão gravadas, fui completando aquelas paisagens sonoras com baixo, teclados e bateria eletrônica. O trabalho estava pronto desde que aquela época, esperando o momento certo. A única coisa feita agora foi a masterização. Pensei em remixar algumas coisas, mas as mudanças tirarariam a essência daqueles dias no estúdio. Não valeria a pena”, conta Chico, lembrando que “Victoria” e o projeto com releituras foram gravados em sequência.

“Essas canções são fonte muito direta de inspiração e de motivação por abraçar a guitarra, aprender um pouco mais sobre a criação de imagens que são feitas ali através dos acordes e das letras. Ao que aquilo te remete a sentir e a imaginar”, explica Herbert Vianna, hoje um de nossos cantores e compositores mais respeitados.

E o melhor de tudo, como o nome já revela, é que outros álbuns com o mesmo formato estão a caminho. “Temos muitas outras coisas guardadas”, confirma o mineiro Chico Neves, que mudou o estúdio do Rio para Macacos, em Nova Lima (MG) e tem se dedicado à consolidação de um selo com jovens artistas da promissora cena do estado.

Além do clipe, vale conhecer o álbum como um todo e, justiça seja feita, “HV Sessions Vol. 1” não pode ser tratado como um álbum de sobras de “Victoria”. Houve um consenso entre artista e produtor que o álbum de 2012 deveria focar nas canções autorais de Herbert, algumas que ele, inclusive, compôs para terceiros e até então sequer as havia gravado, tais como “Se Eu Não Te Amasse Tanto Assim” e “Quando Você Não Está Aqui”  (parcerias com Paulo Sérgio Valle), “Canção Para Quando Você Chegar” e “Vem Pra Mim” (com Leoni) e “Nada Por Mim”  (com Paula Toller). Mas os takes de gravação de temas que tanto marcaram o artista mereciam o tratamento que agora lhes foi dispensado. Ouvir as “HV Sessions Vol, 1” é conhecer Herbert Vianna e seus processos criativos mais profundamente. Que venham mais volumes!

 

Foto em destaque: Maurício Valladares/Divulgação

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