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Jards Macalé no Circo Voador. Simplesmente imperdível

Jards Macalé

Jards Macalé passou os últimos meses em obediente isolamento social, só interrompido para uma semana sabática nos estúdios da gravadora Rocinante em Araras, Petrópolis (RJ), quando gravou com João Donato o álbum “Síntese do Lance”. E nesta sexta-feira (19) o irrequieto artista sobe a um palco pela primeira vez desde março do ano passado. Será a partir das 22h, no Circo Voador.

Sedento pela volta ao contato com o público, o autor de “Gotham City” levará ao público as canções do aclamado “Besta Fera” (2019), seu último álbum solo, rompendo um hiato de 20 anos. E foi justamente com a turnê desse disco (indicado ao Grammy Latino daquele ano) que Jards esteve pela última vez na Lona da Lapa, em abril de 2019.

Jards Macalé
Jards Macalé e seu ‘Besta Fera’ – Foto: Leo Aversa

Primeiro registro de inéditas do cantor e compositor carioca desde o ótimo “O Q Faço É Música” (1999), “Besta Fera” resgata a essência do artista e lança uma certa piscadela em relação aos primeiros trabalhos de estúdio do artista (“Jards Macalé”, de 1972), “Aprender a Nadar”, de 1974, e “Contrastes”, de 1977).

“Eu sou aquele que ao passar dos anos / Cantando a minha lira maldizente / Torpezas do Brasil, vícios, enganos / E bem que os de cantar constantemente / Canto segunda vez na mesma lira / O mesmo assunto em pletro diferente“, provoca no samba tortuoso que dá nome ao disco. E segue firme o autor, pleno em sua crônica desses dias bestializados: “De que pode servir, calar quem cala? / Nunca se há de falar o que se sente / Sempre se há de sentir o que se fala / A ignorância dos homens dessas eras / Sisudos faz ser uns, outros prudentes / Que a mudez canoniza bestas feras / Há bons por não poder ser insolentes / Outros a comedidos de medrosos / Não mordem outros, não por não ter dentes / Quantos aqui os telhados têm vidrosos / E deixam atirar sua pedrada / De sua mesma telha receosos”.

Há canções que refletem as inquietudes do compositor como “Valor”, originalmente gravada em fita cassete no início dos anos 1980. Mas o veterano também dialoga com a nova geração. É o caso das parcerias com o ótimo Tim Bernardes em “Buraco da Consolação”, com Juçara Marçal em “Peixe”, e com Rômulo Fróes em “Longo Caminho do Sol”.

Além das canções de “Besta Fera”, Jards Macalé acena com clássicos dos seus mais de 50 anos de estrada. No palco, será escoltado por banda formada por Marcelo Callado (bateria), Pedro Dantas (baixo) e Guilherme Held (guitarra).

Antes e depois do show, a DJ Lili Prohmann comanda as carrapetas. O Circo só aceita a entrada de pessoas com o comprovante de vacinação.

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