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João Nogueira, 80 anos – Álbum traz seis inéditas do sambista

João Nogueira
Capa do álbum ‘Nascidos no Subúrbio’

“O corpo a morte leva / A voz some na brisa / A dor sobe pr’as trevas / O nome a obra imortaliza”. Tomo emprestado os versos da sublime “Súplica” (João Nogueira e Paulo Cesar Pinheiro) para falar dos 80 anos de João Nogueira nesta sexta-feira (12). O magistral sambista deixou seu amado Méier, o Rio de Janeiro e todo o Brasil em choro apertado ao nos deixar precocemente em 2000, aos 58 anos. Era letrista refinado, melodista idem, herdeiro legítimo da fina-flor do samba carioca e neste dia é lembrado com um belo trabalho que merece ser conhecido. Encabeçado por dois fiéis escudeiros de João, chega às plataformas digitais o álbum “Nascidos no Subúrbio”, que reúne seis gravações inéditas do artista e outras faixas menos conhecidas do grande público. O álbum será lançado em live no Instragram Samba em Rede.

Das músicas selecionadas para o álbum, cujo título vem dos primeiros versos de “Espelho” (o maior sucesso de João), há canções do sambista sozinho, e com parceiros conhecidos, como Paulo César Pinheiro, conta Didu Nogueira, sobrinho e ex-produtor de João, que juntou-se ao violonista Jorge Simas, que trabalhou com o cantor-compositor por um bom tempo e foi seu diretor musical para realizar o trabalho, que tem a participação da irmã de João e mãe de Didu, a cantora Gisa Nogueira; e Diogo Nogueira, principal intérprete da obra do pai. A dupla caprichou na seleção de músicos para participar do projeto: Claudio Jorge, Helio Delmiro, Mauricio Verde, Herlon Bueno e Guinga, como convidados especiais, além dos arranjadores Marinho Boffa e João de Aquino.

O projeto foi custeado através de financiamento coletivo e terá seu show de lançamento no início de em janeiro no Teatro Rival Refit.

Didu, Diogo e Giza Nogueira - Foto: Divulgação
Didu, Diogo e Giza Nogueira – Foto: Divulgação

“João é um sambista clássico, herdeiro da linhagem de Ciro Monteiro e Miltinho, que valorizava de forma suave a divisão nas suas interpretações. Como compositor é daqueles que, mesmo sendo autodidata e, talvez por isso mesmo, tem na sofisticação de suas melodias aparentemente simples, um traço que o difere de outros grandes da sua geração”, afirma Didu Nogueira, que acumula boas histórias do tio pra contar.

Foi o sobrinho que resgatou essas seis canções ainda inéditas de João para o álbum. Uma com Jorge Simas, outra com Carlinhos Vergueiro, uma com Paulo César Pinheiro e duas com o baiano Edil Pacheco. Além disso, o álbum traz uma preciosidade: “Ela”, parceria de João com Nelson Cavaquinho e Paulo César Valdez. É a única música de João com Nelson Cavaquinho. Valdez, também já falecido, é filho de Elizeth Cardoso.

Didu lembra que João Nogueira foi a sua casa para conhecer seu filho recém-nascido antes de um show. “Resolvi perguntar ao João se conhecia bem o Nelson. Ele respondeu que durante meses, ele, Paulo César Pinheiro e Beth Carvalho viviam atrás do Nelson e, penso eu, que devia ser depois das rodas de samba do Teatro Opinião, onde Nelson fazia parte do cast. Aí, ele me disse que fez essa música com Nelson e PC Valdez”, relata Didu em entrevista à revista Carta Capital. Segundo Didu, João chegou a gravar a música por duas vezes num gravador de fita, mas ela acabou nunca sendo registrada em fonograma.

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