Álbuns Históricos

Joni Mitchell, os 50 anos de ‘Blue’ e outros tesouros de 1971

joni mitchell

Por Paulo Roberto Andel

Nesta semana um dos maiores álbuns musicais de todos os tempos completou 50 anos: “Blue”, da cantora e compositora canadense Johnny Mitchell, nome fundamental na história do folk rock e poetisa das maiores da língua inglesa. “Blue” foi um disco transformador porque questionou a posição tradicionalmente machista dos homens em relação às mulheres, além de trazer ao mesmo tempo a doçura e as fragilidades da própria cantora, revelada em nuances das letras do álbum.

Pela primeira vez os homens eram colocados como frágeis e vacilantes, e uma mulher abriu de forma tão confessional suas emoções e sentimentos, inclusive sobre situações muito difíceis, como o bebê que Joni Mitchell entregou para adoção e que só veio a conhecer quase 20 anos depois.

No mesmo 1971 de “Blue”, veio à tona “Tapestry”, outro clássico do rock composto e tocado por Carole King. Era um ano de mulheres fortes e sensíveis que lideravam suas bandas e cantavam não somente o amor, mas a crítica também. E um ano em que não faltaram discos maravilhosos para coleções de qualquer pessoa que curta música.
Por exemplo, “Loaded”, a despedida de Lou Reed do Velvet Underground, que antecedeu sua monumental estreia solo com “Transformer”. No álbum derradeiro com a banda, nasceu aquele que talvez seja o grande hit do Velvet, “Sweet Jane”, que se tornou obrigatório por toda a carreira de LR.

Bote na lista nada mais, nada menos do que “Sticky Fingers” dos Rolling Stones e “Led Zeppelin 4”. “Who’s next”, o bombardeio sonoro do The Who. Outro discão: “Songs Of Love And Hate”, do bardo Leonard Cohen, canadense como Joni Mitchell, os dois pertencentes a um Olimpo poético cujo Zeus é, sem dúvidas, Bob Dylan.

E se os artistas gringos fizeram grandes discos em 1971, a gente não ficou nem um pouco atrás quando o assunto é Brasil. Ao mesmo tempo em que o país passava por um sufoco por conta da ditadura vigente, a criatividade musical estava em plena ebulição. Por exemplo, é o ano de “Caetano Veloso” (London, London), registro que marca a volta do cantor e compositor baiano do exílio, certamente influenciado por sua temporada londrina e antecessor daquele que, para muitos, é o melhor álbum do artista: “Transa’’.

Também foi o ano do lançamento de “Jardim Elétrico” dos Mutantes, com faixas como “Top Top” (que ganharia uma versão demolidora de Cássia Eller trinta anos depois) e “Baby”, do próprio Caetano, imortalizada por Gal Costa. E o que dizer de “Construção”, de Chico Buarque, com sua poesia arrebatadora e crua?

Em 1971 Tim Maia decolou seu segundo álbum, com título homônimo, consagrando três pérolas eternas de seu repertório: “A Festa do Santo Reis”, “Não quero dinheiro” e “Você”. Até sua morte em 1997, o super artista cantou estas faixas em todos os shows que fez – e foram muitos. Como dizia muito bem humorado, Tim só não foi aos compromissos que não o levaram.

 

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