Heavy Metal

Made in Russia (2020): conheça o trabalho ‘ao vivo’ da Noturnall

A banda Noturnall em sua nova formação - Foto: Divulgação
capa do DVD 'Made in Russia', da Noturnall - Fofo: Divulgação
capa do DVD ‘Made in Russia’, da Noturnall – Fofo: Divulgação

Mesmo com as adversidades de um período de contingência, a banda de metal progressivo paulista Noturnall conseguiu fazer história com o lançamento por streaming live de seu show em São Petersburgo, na Rússia, em 3 de maio de 2020. A banda faz história como sendo o primeiro DVD de heavy metal a ser gravado na Rússia, além de marcar a nova formação da banda, em sua turnê que abre a banda Disturbed, famosa no cenário do metal de Chicago.

Três meses depois da live em que o show foi gravado, a banda disponibilizou o show na íntegra, em seu canal do YouTube, no Dia Internacional do Rock (13 de julho). O show é curto e conta com um repertório de 6 músicas, em 30 minutos. Há aqui uma mescla de sucessos antigos da banda, desde o seu primeiro trabalho, intitulado Noturnall (2014) – como a música No Tunrn at All –, além de novas composições escritas pela recente formação da banda. Contamos com Thiago Bianchi nos vocais, Mike Orlando na guitarra, Saulo Xakol no baixo (o mais recente integrante) e a bateria de Henrique Pucci.

A banda traz aqui tudo aquilo que já mostrou em outros trabalhos, sendo uma porta de entrada para o fã mais leigo, ou ainda uma boa reafirmação para os mais assíduos. Riffs rápidos e pesados, lembrando uma afinação clássica de death metal, em combinação com os drives de vocais agudos e precisos que ornam o ritmo pesado das músicas. A guitarra é agressiva e acelerada durante as estrofes, com alguns minissolos. Predominância do campo harmônico menor, algo que lembraria inclusive o estilo harmônico de bandas como Symphony X, mesclando momentos de duetos com o baixo, sem perder o preenchimento da melodia em nenhum momento.

A banda Noturnall em sua nova formação - Foto: Divulgação
A banda Noturnall em sua nova formação – Foto: Divulgação

Depois da apresentação da banda, começamos o show com No Turn at All, que marca sua origem em 2014, sendo a primeira música do seu primeiro álbum. Vemos aqui as referências de estilo que marcaram o início headbangerda banda, com vocais agudos e um ritmo acelerado, acompanhado pelos pedais duplos da bateria virtuosa. Os vocais de Bianchi são precisos e agudos, em contraste com o ritmo grave e acelerado do baixo e bateria. O show segue com a canção Scream! For!! Me!!! que esbanja o ritmo acelerado das percussões com o virtuosismo no tapping da guitarra, nos momentos de riff e em solos bem-ajambrados. O single lançado em 2019 casa muito bem com o momento de progressão do show, em confluência com um estilo que aproximaria a composição inclusive com a sonoridade do power metal. É o mais próximo de uma “canção-hino” que o grupo apresenta nesse trabalho, cativando a plateia que canta o refrão junto da banda.

Logo em seguida Fight the System, single importante do álbum Back to Fuck Up! (2015) que reforça o teor progressivo da banda, acompanhada de teclados sintetizados, no seu início, em combinação com a levada harmônica da guitarra. A música que casa boa parte das letras em português, com segmentos em inglês, demonstra de forma muito elegante a origem e referências da banda, reforçando ainda mais seu papel e representatividade no meio de um show no extremo oriente europeu. O show parte para Wake Up! presente no álbum 9 (2017). A composição mais melódica da canção cria um contraste mais do que válido, em relação ao resto do show. Contando com uma guitarra em um tom harmônico menor e vocais mais serenos, a música faz o show que deveria fazer, em meio a plateia russa, contando inclusive com uma apresentação de dança, enquanto a banda faz sua performance.

Se aproximando do fim do show, a banda escolhe Cosmic Redemption, título mais novo da banda e que ainda não consta em nenhum trabalho pregresso. Aqui vemos uma ostentação maior dos vocais que acompanham a harmonia da guitarra, com a aceleração de ritmo da bateria de Pucci. O show termina com Nocturnal Human Side, do primeiro álbum da banda. Uma escolha muito acertada por voltar às raízes da banda, quase que rememorando o caminho das pedras que levou o seu sucesso. O solo de guitarra no meio da música é o mais consistente, dando o contraponto de virtuosismo no tapping, em combinação com a harmonia lírica de suas notas: um verdadeiro show de um instrumento que te faz viajar para diferentes lugares.

O show foi gravado pela equipe técnica da Noturnall, de modo a fazer com que a linguagem audiovisual conseguisse transpassar a energia das músicas e da plateia, mesmo em um espaço não tão amplo. A edição dá espaço para cada um dos membros em seus respectivos momentos de glória no show, da mesma forma que a câmera tremendo contribui como solução imagética para reforçar a aceleração e distúrbio causados pelo ritmo frenético da música. Notunall Live! Made in Russia é uma excelente pedida para os fãs de metal, deixando qualquer headbanger satisfeito, mesmo obrigado a bater cabeça no tapete da sala de estar.

Ouça o álbum na íntegra:

 

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