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Milton & Belchior ecoando imortalidade

Belchior

Por Paulo Roberto Andel

O Deus da Música apontou para o Brasil e disse: “Nessa terra teremos uma das melhores músicas do mundo”. E por isso mesmo, o país pode se gabar em ter dois de seus maiores artistas com aniversário neste mesmo 26 de outubro: nada menos do que Milton Nascimento e Belchior.

Embora sejam musicalmente distintos, Belchior e Milton têm traços em comum: vieram de suas localidades para “vencer” na grande cidades, suas obras contêm uma busca pela liberdade e ambos são artistas populares, reconhecidos pela crítica, tendo feito sucesso há décadas sem qualquer perda de prestígio.

O som de Belchior é ao mesmo tempo sabor de interior e urbanidade. O modelo mais convencional, de violão com ou sem banda, é temperado pela atmosfera lírica e rascante do trovador. Vindo do interior, o poeta possui letras de extrema urbanidade e, ao mesmo tempo, de candura interiorana, que se tornaram definitivas no cancioneiro nacional. Por volta do minuto 31 deste especial da TV Cultura, Belchior fala generosamente de Milton:

Milton é a fina estampa de uma viagem pelas Minas Gerais. Ao ouvi-lo, imediatamente você pensa nas estradas e caminhos de Minas, nas possibilidades cabíveis. É um porta-voz musical de sua terra, bem acompanhado por outros gênios da nossa música como Wagner Tiso e Robertinho Silva, dentre muitos outros nomes.

Os dois soam a liberdade, a andar livre e descobrir o mundo. Belchior, mais ácido e rascante na poesia das letras, Milton mais reflexivo e falando de sentimentos que são compreendidos de maneira universal, mesmo quando falam das peculiaridades de Minas.

Belchior é mais calçada, prédio e janelas anônimas dos grandes condomínios. Milton é mais pés descalços no barro, estrada de terra e riacho.

Aos 79 anos completados nesta terça-feira (26), Milton Nascimento ainda é uma grande voz do Brasil. Acaba de anunciar sua turnê de despedida. Tem uma discografia fabulosa. Belchior, que faria 75, acabou se afastando do mainstream há décadas e viveu uma trajetória desafiadora, rompendo com convenções e apoiado por amigos numa vida nômade. Independentemente de tudo isso, os dois artistas já estão consagrados há muito tempo.

Milton ainda canta muito. Belchior ainda ecoa demais.

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