Duetos

Mônica Salmaso e José Pedro Gil cantam Vinicius e Zeca Afonso

Mônica Salmaso
Capa do álbum 'Estrada Branca', de Mônica Salmaso e José Pedro Gil - Foto: Divulgação
Capa do álbum ‘Estrada Branca’, de Mônica Salmaso e José Pedro Gil – Foto: Divulgação

Um poeta de pena boêmia, cronista irreparável do amor, um dos pais da iluminada da Bossa Nova, e um poeta de verve engajada e politizada que embalou com seus versos uma revolta popular que sepultou um longo período ditatorial. Há quem diga que não haveria encontro possível entre as obras de Vinicius de Moraes e de Zeca Afonso. O álbum “Estrada Branca”, lançado recentemente pela Biscoito Fino, traça essa ponte entre o nosso poetinha e o bardo da Revolução dos Cravos. A magia se faz pelo encontro e duas vozes, a da nossa Mônica Salmaso e do lusitano José Pedro Gil.

A origem de “Estrada Branca” está na participação que Mônica Salmaso fez no álbum “Outro tempo, José Afonso”, que José Pedro Gil lançou em 2015. Foi naquele momento que os dois cantores decidiram convidar o escritor português Carlos Tê para a dramaturgia de um novo espetáculo que entrelaçasse as obras de José Afonso e Vinicius de Moraes. O projeto ganhou forma e foi apresentado em 2017 em palcos portugueses (Lisboa, Porto e Sintra). A performance da dupla de cantores e dos músicos é de um lirismo e beleza digno da grandeza dos dois poetas ali reunidos.

Sob a distribuição da Biscoito Fino, “Estrada Branca” nos chega como álbum digital – com uma capa que remete graficamente aos discos lançados pelo saudoso selo Elenco – e a sábia decisão de prensagem em CD físico.

“À improbabilidade inicial de convivência entre as canções de Vinícius e José Afonso, sucedeu-se uma sensação de familiaridade capaz e aproximar com maestria as culturas”, destaca José Pedro, que participou de projetos de vários artistas portugueses e brasileiros, como Maria João, Carminho, Pedro Jóia e Ney Matogrosso.

Teco Cardoso (flautas) e Nelson Ayres (piano e acordeon) assinam a direção musical do espetáculo que reuniu ainda Emanuel de Andrade (piano), Lyza Valdman e Marcelo Caldeira (violinos), Sérgio Sousa (viola) e Tatiana Leonor (violoncelo).

No repertório, Vincius é interpretado em oito canções com frequentes parceiros como Tom Jobim, Caros Lyra, e Chico Buarque, entre outros. São elas: “Chora Coração”, “Derradeira Primavera” e “Estrada Branca” (com Tom), “Olha Maria” (com Tom e Chico), “A Casa” (Vinicius), “Pau de Arara” (com Lyra) e “Odeon” (com Ernesto Nazareth) e “Valsinha” (com Chico). De Zeca Afonso foram selecionadas “Canção de Embalar”, “Mulher da Erva”, “Era um Redondo Vocabulário”, “Os Índios da Meia-Praia “Que Amor não me Engana”, “Adeus, ó Serra da Lapa” e “As Pombas” (com Oliveira de Andrade). Os dois intérpretes nos entregam um álbum belíssimo à altura de dois construtores de canções que ergueram uma ponte Rio-Lisboa pavimentada pela beleza de seus versos. Mônica Salmaso e José Pedro fizeram bem em eternizar essa noite mágica em CD.

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