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Nana Caymmi faz jus a Vinicius e Tom

Por Maninho Pacheco
Especial para o Na Caixa de CD

Capa do álbum 'Nana Tom Vinicius' - Foro: Divulgação
Capa do álbum ‘Nana Tom Vinicius’ – Foro: Divulgação

Um dia após os 40 anos da morte de Vinicius, a melhor forma de homenageá-lo é sextar ao som de sua poesia, em parceria com a musicalidade de Tom. E todo esse sofisticado pacote embalado em fino papel pela voz poderosa e tenra de Nana Caymmi. E a boa notícia é que esse presente nos chega nas plataformas digitais sob o título “Nana, Tom, Vinícius”, um daqueles álbuns que já nascem clássicos.

De Nana se desculpa tudo. Do seu temperamento vulcânico, a língua sem papas, ou ausente de toda e qualquer forma de filtros, ou mesmo o voto conferido ao verme que nos governa. Isso porque, parafraseando a bela canção do Ivan, basta um solfejo dela e eu: ai, ai, ai, ai, ai, ai.

Nana e o mano Dori Caymmi, responsável pelos arranjos de um álbum que já nasceu clássico - Foto: Divulgação
Nana e o mano Dori Caymmi, responsável pela direção e arranjos de um álbum que já nasceu clássico – Fotos: Livio Campos/Divulgação

Gravado sob a direção do maestro e irmão Dori Caymmi, um dos músicos brasileiros que mais domina o seu ofício, Nana passeia suave na nave por 12 canções assinadas em parceria pela dupla ou de próprio punho, por um dos dois. Acariciada pela orquestração clássica do mano, com cordas e sopros na medida exata e precisa.

O álbum já nasce eterno. E atemporal. Tanto importa se escutado (sorvido, prefiro) agora, há 60 anos (todas as dez canções cantadas por Nana foram compostas de 1956 a 59) ou daqui a 60. O trabalho ali é inoxidável. Resistente ao tempo prévio e vindouro. Uma resposta ao tempo, como na letra imortal de Aldir.

E tempo é o que não falta à quase octogenária Nana (79 anos), nem aí para essas temporalidades. Cada vez mais inclinada em vender o apartamento onde mora, no Alto Leblon, e se dividir entre o apartamento de Copacabana onde seus pais passaram o fim da vida e o sítio da família em Pequeri (MG).

Neste álbum urgente, Nana brinca com o tempo de Vinícius e Tom, “mas um Tom casca grossa, não tem essa de ‘Garota de Ipanema’, não”, anteviu lá atrás, ano passado, ao lançar o também já clássico “Nana Caymmi canta Tito Madi” (Biscoito Fino), na já igualmente clássica, divertidíssima e iconoclasta entrevista concedida a “Folha de S. Paulo”, generosamente recheada por 89 cabeludésimos palavrões.

“Nana, Tom, Vinícius” é um standard providencialmente lançado numa sexta que, por sua magia e magnetismo, nos conduz, mais à noitinha, a uma dose, à contemplação, à fruição e à vida. Ouçamos.

 

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