AlternativoDuetos

Planícies Sem Nome, a viagem sem tédio do Antiprisma

Aquele tédio que nos bate na estrada em longas viagens pode render mais do que um cochilo. “Planície Sem Nome”, single recentemente lançado pelo duo paulista Antiprisma, é um exemplo disso. A canção antecipa o álbum “Hemisférios”, em fase de conclusão. Elisa Moreira Oieno e Victor José propõem uma atmosfera folk com forte acento progressivo (tipo a fase “Atom Earth Mother”, do Pink Floyd), com notas que se prolongam por vastas paragens sonoras e um solo de guitarra linearmente envolvente . Ouçam o bom trabalho da dupla:

A letra foi escrita por Victor José enquanto retornava de uma viagem pelo interior de São Paulo. Sozinho na estrada, o músico observava o sol se pondo e se entregava ao manso exercício de se entregar à paisagem oferecida. “A vibe dessa foi toda desenvolvida nessa ideia de espaço, quero dizer, um certo vazio entre um compasso e outro, preenchido por essa bateria que está lá o tempo todo, comedida mas bem presente. É como um trajeto de estrada do interior mesmo, quando você olha pro lado e se depara com algo em destaque depois de um longo e agradável tempo de vista linear”, compara.

Espaços vazios para respirar

“O Victor apareceu um dia com essa música no violão, praticamente pronta, e eu abracei logo de cara. Ela tem aquela coisa contemplativa e reflexiva que tanto gostamos, que acompanha a geografia que vai passando pela janelinha do ônibus. Tocar essa música é muito bom, ela tem esses espaços vazios que te obrigam a respirar e fazer uma longa pausa na hora de tocar, e isso é algo que todos nós devíamos fazer em várias coisas na vida (risos)”, comenta Elisa.
Além de Elisa (voz, violão e piano) e Victor (voz, guitarra, baixo, mellotron), a gravação de “Planície Sem Nome” contou com a participação de Marlon Marinho (bateria).
O primeiro trabalho do Antiprisma é datado de cinco anos, um EP homônimo que faz lembrar bastante outra banda paulistana que marcou minha adolescência: Os Mutantes. Em 2016, o duo gravou o álbum “Planos Para Esta Encarnação (2016), no qual explorava sua vertente acústica. Ouçam, por exemplo, a bela “Subsistência”.

Deixe uma resposta