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Plataforma de Lançamentos – nº 37 – Edição 20 de Novembro

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Nesta semana a Plataforma de Lançamentos foca em artistas pretos, de várias influências e estilos. Muitos outros clipes poderiam entrar, como sempre entram aqui neste espaço. Mas hoje vamos com os novos vídeos do grupo Arruda com Jorge Aragão, da estrela Iza, da potiguar Clara e dos mineiros Alysson Salvador e Gui Ventura.

O poder na pele

 

 “Poder É Pele Preta”, lançamento conjunto entre o grupo Arruda e o cantor e compositor Jorge Aragão, consagra o povo preto em belo samba que une as vozes de Maria Menezes, Nego Josy e do próprio Aragão, um sambista de interpretações marcadas pela classe e elegância.
Maria Menezes não esconde a emoção de contar com um nome tão consagrado do samba no projeto e rasga elogios ao mestre: “Pro Arruda é uma emoção única. Uma música que fala de nós, da nossa gente, do nosso poder. Nada mais emblemático que contar com Jorge Aragão, nosso ídolo, que sempre cantou a causa da negritude, a causa do nosso povo”. “Fico muito feliz de receber convites como o do Arruda. Recebo muitos todos os dias e infelizmente não consigo atender todos. Mas aceitei o do Arruda porque, além de eles serem muito bons no que fazem e eu já conhecer o trabalho do grupo, a música e o tema me interessam. E já avisei a eles: sempre que forem falar sobre a nossa causa podem contar comigo!”, promete. Quem bom. Vamos assistir:

 

Amores (futuristas) descartáveis

Os relacionamentos fugazes e passageiros, o tal amor líquido preconizado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, está presente em “Sem Filtro”, o novo single/clipe de Iza. “A gente junto é mó parada/ A gente não presta/ Zero compromisso/ Se for sempre assim nós fecha/ Entra nesse quarto/ Sem a intenção de ficar/ Não vejo problema/ Em não querer se apaixonar/ É que hoje eu tô sem filtro/ Celular, sem hora pro amor”, canta a diva numa mescla de R&B com pagode baiano, trap e dancehall. Roteirizado pela própria cantora e dirigido por Felipe Sassi, o clipe dá uma guinada radical sobre o clima solar do single anterior, “Gueto”, quando Iza celebrava a vida suburbana e feliz de carioca da gema. O vídeo novo é mais sombrio, misterioso e fatal em atmosfera futurista e angustiante. A canção sincopada no R&B em potente base R&B, cama sonora em que Iza sente-se muito à vontade. Confira:

 

Na batida do Uaifrobeat

Parte de uma nova geração de artistas negros que estão ressignificando as sonoridades da música afromineira influenciada principalmente pelo congado, Alysson Salvador reúne no EP “Uaifrobeat Vol. 1” as canções que compôs, gravou e lançou durante a reclusão forçada no momento da pandemia e onde reflete sobre os dilemas emocionais deste período – da paralisia à indignação, da desolação pelo negacionismo à esperança. Dialogando com o mês da Consciência Negra, o músico revela a faixa inédita “Flecha, Machado e Trovão”, uma composição de discurso combativo dentro das questões raciais brasileiras e composta e produzida apenas por artistas negros. A canção chega com um clipe.

 

Cantando o amor afrocentrado

Também das Gerais, o cantor e compositor Gui Ventura nasceu no pagode e começou a diversificar seu trabalho até desaguar no EP “Alguma Coisa Sobre Amor” em que extravasa um romantismo que caminha em direção a um amor afrocentrado, afirmativo. “É um trabalho para dizer que negros e negras exercem e merecem o amor. É o confronto à ideia racista construída ao longo da história que desumanizou
nossa existência ao nos ver exclusivamente como corpos para o sexo e para o trabalho, assassinatos e torturas que nos obrigaram a enrijecer por sobrevivência. Fomos estigmatizados, por olhares que ignoram o processo histórico que desenvolveu todo esse auto ódio. Uma das faixas do EP é “Bom Dia”, com clipe dirigido por Iolly Bruzaferro a partir de roteiro e argumento do próprio Gui Ventura:

 

A negra Clara

E vem do Rio Grande do Norte a cantora e compositora Clara, que celebra a cor de sua pele no clipe “Negra”. Dirigido por Alice Carvalho e Larinha R. Dantas, o vídeo é um grito de autoafirmação. Identidade, raça, história e cultura do povo negro surgem nas entrelinhas do canto da artista que evoca um mantra, para quem quiser ouvir, de sua cor e sua origem. A canção faz parte do repertório de “Pegue e Volte”, seu EP de estreia em carreira solo depois de passar pela Orquestra Boca Seca e formar a banda Clara e a Noite. Assistam:

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