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Rodrigo Santos e as reflexões pandêmicas em ‘Livre’

Uma foto de Annie Leibovitz inspirou a capa do álbum ‘Livre’, assim como no filme ‘Beleza Americana’. Mas aqui a proteção contra a covid é um tema recorrente – Foto: Divulgação

Em abril o cantor e compositor Rodrigo Santos acabara de lançar o álbum “Cazuza em Bossa”, em parceria com Leila Pinheiro e Roberto Menescal. Em condições normais de temperatura e pressão, o trio estaria percorrendo o país divulgando o projeto. Mas a pandemia impôs novas rotinas e padrões de comportamento. Rodrigo seguiu as recomendações de isolamento social à risca, mas sentia que não podia se calar diante da gravidade do momento. Ouviu a voz da ciência e, em parceria com seu médico e amigo Gustavo Gouvêa compôs o single “Heróis de Carne”, uma homenagem aos profissionais da saúde na linha de frente da covid-19. Mas não ficou nisso: o conjunto de reflexões sobre o atual momento quer enfrentamos levou o artista a se debruçar na concepção e gravação de “Livre”, seu 11º trabalho solo. “Depois do single, percebi que era o momento de compor mais canções que refletissem tudo isso que estamos vivendo, novos comportamentos, problemas e desafios”.

Integrante do Barão Vermelho por 26 anos e com passagens por outras bandas do olimpo do rock brasilis, Rodrigo Santos mergulhou entre abril e agosto no novo projeto. Habituado a fazer uma média de 20 shows por mês, Rodrigo usou o tempo em casa para compor, compor e compor. “O álbum surgiu da necessidade criativa de sobrevivência, para manter a sanidade mental num momento tão difícil”, justifica o artista que fez algumas lives e a primeira apresentação ao vivo em um drive-in. Foi em julho na cidade de Piraí com o repertório de seu maior sucesso comercial, o álbum “Festa Rock” com suas versões para grandes sucessos do rock brasileiro dos anos 1980 e 1990. “É claro que no início houve um estranhamento com aquele tipo de plateia, mas a energia de voltar a tocar com a banda foi contagiante para nós e para o público. Em certas canções que peço para a galera bater palmas e marcar o ritmo foram os faróis. Foi diferente, mas foi gratificante”, lembra.

“Livre traz 12 faixas inéditas, sendo duas canções compostas por ele e 10 parcerias. “Quem Sabe Mais” é uma homenagem de Santos ao amigo e xará, o jornalista Rodrigo Rodrigues, falecido em julho de covid. “Tínhamos várias coisas em comum, o amor pela música, pelos Beatles, pelo futebol, pelo Flamengo. Falava com ele diariamente depois que contraiu a covid. Nosso contato cessou quando ele estava internado… Daí foi tudo muito rápido”, lamenta. “Um Novo Olhar”, que conta com a participação na guitarra do seu filho Léo Lattavo, fala de uma nova ótica para a humanidade. “Somos mais do que números”… Não somos cardumes, mudaremos os costumes”, canta.

É um disco que registra uma fase que não pode ser esquecida, com um novo olhar sobre o mundo, a ciência e a saúde.
Em “Arca de Noé 2020”, parceria com o guitarrista Andy Summers (ex-Police), o artista faz uma crônica sobre o nome momento dos animais que fizeram a festa no planeta quando o homem se recolheu. “Nas minhas pedaladas na Lagoa deu para perceber que as águas ficaram límpidas. Animais fizeram inesperadas aparições em paisagens urbanas. A música fala disso”.  Além de Summers, a faixa conta com a participação do paralamas João Barone na bateria e, de certa forma remete a “Efeito Borboleta”, faixa-título de seu bom álbum de 2017, em parceria com o guitarrista Fernando Magalhães, seu ex-colega de Barão. A nova faixa ganhou um videoclipe que aproveitou as telas do programa usado para a mixagem do álbum com a inclusão de imagens computadorizadas. Veja o clipe de “Arca de Noé 2020” aqui com a gente:

Outras faixas trazem dobradinhas com George Israel (“Meu Navio é o Tempo”), Guto Goffi (“Eu Vou Comemorar”), Roberto Menescal (“Bem Que Se Quer”), Mauro Santa Cecília (“Livre”), entre novos parceiros como André Gimaranz e Roberto Bruno. “Este foi um dos álbuns com mais parcerias que já produzi e tudo aconteceu de forma natural, com uma troca legal de letras e melodias, cada um de sua casa”, lembra Rodrigo Santos.

Um mini estúdio foi montado na casa do músico. Lá foram gravadas as vozes, os backing vocals, os violões de 12 cordas e os baixos do álbum. Houve um encontro virtual com os músicos, que possibilitou gravações em estúdios espalhados pelo Brasil e exterior; desde Venice, na Califórnia, passando por Pelotas (RS), Belo Horizonte, Rio e São Paulo. Ouça todas as faixas de “Livre” com comentários de Rodrigo Santos em sua participação no podcast Faixa a Faixa:

Além do álbum, Rodrigo Santos está livre para tocar outros projetos. Está preparando um novo livro,” Viu comida, come; viu cama, dorme; viu van, entra – Diários da Estrada”, em que conta bastidores das turnês do Call The Police (em que divide o palco com Andy Summers e João Barone tocando o repertoria da banda inglesa), de sua carreira solo e o início das lives e shows em drive in. O CD “Festa Rock 2” – sequência de seu maior sucesso comercial – já está pronto, assim como o documentário “Trem Bala”, que fala sobre sua luta contra a dependência química e história musical. Com depoimentos de Frejat, Léo Jaime, Lobão entre outros, o documentário de seis episódios será exibido no canal Music Box Brazil. Em 2021, com vacina, o músico já planeja reunir os colegas do Call The Police por mais um giro pelo Brasil e América do Sul.

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