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Rosinha de Valença, 80 anos

rosinha de valença

Por Paulo Roberto Andel

 

Nesta sexta-feira (30), Rosinha de Valença chegaria aos 80 anos. Respeitadíssima como uma das maiores instrumentistas brasileiras da história, ela ainda triunfou num cenário eminentemente masculino. A maior prova de sua vitória rara é que ela não deixou descendentes. Não tivemos outras Rosinha de Valença desde que a legítima nos deixou, depois de longa agonia. Trata-se de uma artista única.

Fato que realmente chama a atenção: em nossa riquíssima música popular, o papel da mulher instrumentista ainda fica no plano oculto, sem o devido destaque, algo que deve ser combatido de forma duradoura.

Rosinha de Valença e Martinho da Vila, parceria musical que marcou a carreira do sambista - Foto: Reprodução
Rosinha de Valença e Martinho da Vila, parceria musical que marcou a carreira do sambista – Foto: Reprodução

Antes de se tornar uma das raras instrumentistas líderes de seus conjuntos, fazendo uma carreira internacional, Rosinha teve uma produção avassaladora nos anos 1960 e 70. Tocou com Baden Powell, depois com Sérgio Mendes, em quatro álbuns quintessenciais de Martinho da Vila, com Maria Bethânia e Nara Leão, com João Donato, Dona Ivone Lara e mais um mar de gente. Gravou mais de uma dezena de LPs no Brasil e no exterior, por vários selos. Pérolas perdidas que imploram por reedições há décadas. Parte dessa discografia impressionante pode ser ouvidas nas plataformas digitais.

Em 1992, a carreira de Rosinha foi encerrada abruptamente pela parada cardíaca que a levou ao coma e ao final vegetativo em 2004. Algo muito injusto, cedo e fora do razoável. Entretanto, toda a sua história musical estava escrita de vez.

Trata-se de música brasileira instrumental de alto nível, pura, que encantou artistas e plateias por todo o mundo, e que permanece quase incógnita no Rio de Janeiro, terra em que a garota de Valença, no Sul Fluminense, veio para brilhar e ajudar a construir uma grande história da nossa música.

Assista aqui uma participação de Rosinha num especial para a TV alemã, gravado em 1966. Ela executa o afro-samba “Consolação” (Baden Powell / Vinícius de Moraes), acompanhada pelos músicos ‪J. T. Meirelles‬ (flauta), Rubens Bassini (tamborim), Chico Batera (bateria) e Sergio Barroso (baixo):

A cidade de Conservatória reabre esta semana o teatro que leva o nome de Rosinha. Nada mais justo.

 

2 thoughts on “Rosinha de Valença, 80 anos

  1. Uma execução instigante que vi de Rosinha de Valença, “Asa Branca” que nunca vi nenhum outro violonista brasileiro. Uma introdução que lembrava Bach. Fiquei com aquilo na cabeça. Vi e ouvi Sebastião Tapajós, Baden Powel, Rafael Rabelo, Paulo do Violão, Yamandu Costa, cada qual com seu estilo, mas só ela te desequilibrava com Bach e um xote.

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