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Sérgio Ricardo grava DVD com suas trilhas para cinema

O show “Cinema na música de Sérgio Ricardo” vai virar DVD e CD e a gravação acontece nesta terça-feira (2), a partir das 20h, no Teatro da UFF, em Niterói. O espetáculo, que une sua obra musical e cinematográfica, terá as participações de Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Dori Caymmi e João Bosco.

Idealizado há um ano para marcar as comemorações dos 85 anos do cantor, compositor, pintor e cineasta, o show-visual é conduzido pelo próprio Sérgio Ricardo e os filhos, e já foi apresentado em vários palcos pelo país. A gravação é resultado de uma parceria da Cacumbu Produções com a Biscoito Fino e o Canal Brasil, que vai transformar o material em um programa especial de TV, dirigido por Paulo Henrique Fontenelle.

Sérgio Ricardo com os filhos Marina Lutfi e João Gurgel – Foto: Ana Resende

Com passagem anterior pelo teatro em abril, o show apresentou trechos das várias trilhas sonoras e projeções das principais criações de Sérgio Ricardo para o cinema, com a participação dos fillhos Marina Luft e João Gurgel.

Na apresentação, além de Marina (voz) e João (voz e violão), ele é acompanhado por Alexandre Caldi (sopros) e Diego Zangado (percussão). No repertório, canções como “Barravento”, inspirada no filme homônimo de Glauber Rocha, “Esse mundo é meu”, com letra de Ruy Guerra, “Cantador de Cajazeiro” (abertura de “A noite do Espantalho”), “Deus o Diabo na Terra do Sol”, “Zelão” e “Calabouço”.

A apresentação contará ainda com projeções de trechos dos longas – a maioria com fotografia a assinada por Dib Lutfi, presença importantíssima no Cinema Novo e irmão caçula de Sérgio. A seleção das imagens foi feita pelo VJ Victor Magrath, editor dos últimos filmes de Sérgio Ricardo.

“Cinema na Música” é um dos diversos projetos relacionados a Sérgio Ricardo que vêm sendo dirigidos por Marina, que se dedica a revitalizar, valorizar e expor a riqueza da obra de seu pai. Ela responde por assuntos que costumam incomodar compositores, tais como patrocínios, organização dos direitos autorais, recuperação dos filmes e o agendamento de shows para diversas cidades do Brasil. “Marina é minha guardiã, minha protetora. Não sei o que eu faria sem ela”, admite o artista.

“Sempre admirei o fato do meu pai ser compositor e cineasta de obras tão criativas e bem executadas. Montar esse show me pareceu a melhor forma de comemorar e valorizar essas múltiplas expressões. O trabalho de preservação e organização da sua história é longo e necessário. Estamos organizando o acervo dele desde 2009, um trabalho de formiguinha. Agora ganhamos um edital da Faperj para montar o site que reunirá todo o seu acervo em um banco de dados completo.

Cena do longa "A Noite do Espantalho", dirigido por Sérgio Ricardo e estrelado por Alceu Valença - Foto: Reprodução
Cena do longa “A Noite do Espantalho”, dirigido por Sérgio Ricardo e estrelado por Alceu Valença – Foto: Reprodução

“O que eu mais quero é viver meus próximos anos fazendo cinema. Dirigir atores é uma cachaça pra mim, assim como fazer música e poema para as cenas. O cinema me permite inúmeras possibilidades”, diz Sérgio Ricardo, que se tornou cineasta nos anos 1960. Premiado internacionalmente, realizou três longas metragens: “Esse mundo é meu” (1964); “Juliana do Amor Perdido” (1968); “A Noite do Espantalho” (1973); e mais de dez curtas, entre eles “Menino da Calça Branca” (1961) e “Pé sem Chão” (2014).

No auge de seus 85 anos, Sérgio Ricardo acaba de filmar um novo longa: “Bandeira de Retalhos”, que conta a história verídica da tentativa de ocupação imobiliária do Morro do Vidigal, no Rio de Janeiro, nos anos 1970. O elenco é formado por atores do grupo Nós do Morro, do Vidigal, e também por seu filho e músico João Gurgel.

Sérgio Ricardo, o Sérgio Bom de Tudo

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