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Série resgata discos históricos da MPB

O projeto “Discos históricos da MPB”, que se realiza neste sábado (4/8) na Sala Baden Powell, em Copacabana, com show de João Donato, foi idealizado pelo jornalista, pesquisador e produtor Arnaldo de Souteiro. “A ideia para uma série como a ‘Discos históricos da MPB’ é um ovo de Colombo, algo aparentemente simples, mas que ninguém faz porque é difícil tornar realidade”, explica Souteiro, que também é o curador e diretor musical da iniciativa. Ele conta que optou começar a série com “Quem é quem” (1973), primeiro álbum em que o instrumentista Donato (pianista e acordeonista) aparece como cantor, por ser uma forma de homenagear o artista no mês de seu aniversário com um evento especial e que não fosse “um show normal”.

“Além disso, havia fi­cado uma frustração do artista pelo descaso da Odeon em divulgar o trabalho, que foi um divisor de águas na carreira desse gênio. A gravadora investiu uma verba alta no disco, o departamento artístico apostou no trabalho, mas aí veio uma pessoa e boicotou todo o lançamento”, recorda.  Com tantos problemas, a distribuição do álbum deixou muito a desejar. “Eu lembro que ouvi a faixa “Amazonas” na rádio JB-AM, e passei um mês procurando o LP nas lojas, porque não tinha em lugar algum. Quando consegui comprar, deixei meses na vitrola, não parava de ouvir”, conta. Ouça todas as faixas deste disco histórico aqui:

Celebração de uma amizade

Dois anos depois de “Quem é quem”,  Souteiro conheceu Donato pessoalmente. “Em 1975, assisti a alguns shows nas casas noturnas Breguetes e Cirrose, e posso dizer que ficamos amigos próximos em 1978, então este show é uma forma também de celebrar esses 40 anos de amizade, durante os quais ­fiz roteiros para shows dele, produzi discos novos e relançamentos, viajamos e aprontamos. Tem sido muito divertido”.

Os arranjos do espetáculo foram adaptados por Donato para um show realizado em São Paulo em 2014 com uma banda formada por músicos locais. “Aqui ele tocará com o grupo dele e possivelmente alguns convidados. Claro que o ideal seria reproduzir integralmente a sonoridade do disco, mas é algo impossível no Brasil atual, porque a contratação da orquestra custaria uma fortuna. Além disso, músicos que gravaram já morreram (Naná Vasconcelos e Lula Nascimento); outros se aposentaram. De qualquer modo, a seção de cordas foi usada no álbum de forma bastante discreta, somente para ornamentar a essência. Não é um disco orquestral, instrumental. O sucesso do álbum está na força das composições, dos grooves, das letras e, óbvio, no estilo ultrapeculiar do Donato cantar”, afi­rma.

Sobre novos espetáculos para a série de discos históricos, Souteiro enumera seus sonhos de consumo. “Gostaria muito de levar ao palco, em seguida, o ‘Wanda Vagamente’, que também nunca teve show de lançamento. A Wanda Sá e a empresária dela adoraram a ideia e já chamaram o Ugo Marotta, que participou do disco, para reconstruir os arranjos de base. Só falta de­finirmos a data porque a Wanda vive com agenda cheia”, antecipa. As conversas também estão  evoluindo com Arthur Verocai, “um grande amigo e ídolo”, para que se recrie o disco de estreia dele, “Arthur Verocai”, gravado em 1972, que mistura jazz, bossa nova e música experimental. “Outro sonho seria contar com a Leny Andrade cantando o ‘Estamos aí’. É o meu disco favorito dela. Mas ainda não sei se a Leny irá topar”, comenta.

Reportagem publicada no Jornal do Brasil em 4/8/2018

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