Heavy MetalRock

Shaman volta à ancestralidade

Ascensão meteórica, sucesso estrondoso, separação precoce, uma legião de fãs saudosistas e uma festejada volta aos palcos. Muitas bandas já viveram esse enredo, um eterno ir e vir na história do rock. Desde setembro, a Shaman se propôs a reviver este enredo. A formação original da banda nascida em 2002 e que vendeu 500 mil cópias com seu CD de estreia, “Ritual”, sobe neste domingo (2/12) o palco do Hub – RJ para executar na íntegra os dois primeiros álbuns do quarteto. “Por anos a gente vinha recebendo mensagens das pessoas pedindo a volta da banda e esses pedidos foram aumentando. Após alguma conversa, decidimos fazer um show, inicialmente um só, em São Paulo. Os ingressos esgotaram em dois dias. Fizemos mais uma data e vieram pedidos de agenda para outras cidades. A notícia deste concerto despertou uma curiosidade dos fãs tradicionais e de gente mais nova que nunca viu a banda ao vivo”, explica o guitarrista Hugo Mariutti.

Mas será que este retorno para uma bateria de shows significa um retorno definitivo ou, pelo menos, um novo projeto em 2019? “Por enquanto é isso. Só estamos pensando em fazer os melhores shows possíveis, retribuindo esse carinho dos fãs”, desconversa o músico, citando o entusiasmo da plateia nas cidades em que a banda já se apresentou nesta mini turnê.

E não é só a plateia que está apreciando a nova fase. Nos bastidores, o astral está em alta, revela Hugo. “Desde o primeiro ensaio, a gente sentiu a energia de voltar a tocar junto, aquele entrosamento de saber onde vão cair as pratadas, o baixo… É emocionante ver o público cantar tudo”.

Projeto além dos limites musicais do Angra

A história da banda começa quando André Matos (vocal), Luis Mariutti (baixo) e Ricardo Confessori (bateria) deixaram o Angra e uniram forças num projeto que desejava ampliar as fronteiras musicais abertas pelo mítico álbum “Holy Land” (1996). Estamos falando de algo que se convencionou chamar de prog metal, um power metal marcado por influências melódicas do rock progressivo, da world music e até da tradição sinfônica. Divergências musicais e pessoais levaram André, Luis e Ricardo a sair da banda original. Irmão de Luis, Hugo viria a juntar-se ao novo grupo que ganharia o nome de Shaman que, de certa forma encarnava a essência do novo projeto.

Recheado de teclados, violinos e flautas indígenas, “Ritual” foi um estrondo de vendas, sucesso de crítica, uma simbiose perfeita entre uma seção rítmica acelerada, o peso das guitarras e um vocal potente mesclado a uma sonoridade ora tribal ora romântica, o que pode constatado na lírica “Fairy Tale”, uma trova medieval com introdução em coro, vocal solo, piano, flauta e violino que antecede uma potente balada – o legítimo cartão de visitas de como uma banda de metal pode atingir estados de sublime musicalidade mesmo que a elevados decibéis. Confira, abaixo, uma empolgante apresensentação do hit em concerto da Shaman em 2013.

CD/DVD RituAlive atingiu enorme sucesso

Durante todo 2003, a Shaman estava entre os primeiros colocados em vendas de álbuns. A banda gravou na ocasião um show ao vivo no Credicard Hall com a participação de vários convidados especiais, como Tobias Sammet, Marcus Viana, Andi Deris, Sascha Paeth, George Mouzayek e Michael Weikath. O show foi lançado em CD e DVD, intitulado RituAlive – considerado um dos melhores e mais bem produzidos DVDs já gravados no Brasil, repetindo o sucesso da versão de estúdio.

O segundo álbum, “Reason” (2005) não repetiu na ocasião o mesmo resultado do trabalho anterior por representar uma incursão na sonoridade mais pesada, menos melódica, uma espécie de metal-raiz. Mixado na Alemanha pelo produtor Sascha Paeth e gravado no Brasil por Phil Colodetti, o CD era uma tentativa confessa de devolver o sentimento e espírito do heavy metal dos anos 80. Acabou se tornando o álbum derradeiro da formação original da banda que começou a se desfazer a partir da saída dos irmãos Mariutti em 2006. Com novos músicos, o grupo ainda gravaria dois trabalhos de estúdio e um ao vivo sem arrancar os mesmos elogios de crítica embora mantivesse a acolhida dos fãs. A segunda formação seguiu até 2014 até seu fim definitivo. Ou não, como se vê agora.

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