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Titãs em ritmo de cinema

Titãs

Ainda cumprindo as recomendações de isolamento social, os Titãs vêm encontrando formas de seguir produzindo. Após o lançamento dos dois primeiros EPs do álbum ‘Titãs – Trio Acústico”, a banda mergulha em sua história em clima de retrospectiva e disponibiliza nesta quarta-feira (22) em seu canal do YouTube o Cine Titãs, exibições únicas de grandes materiais audiovisuais da trajetória de quase 40 anos de carreira. “Vai acontecer como se fosse um festival de cinema, as pessoas vão poder ver diferentes shows ao longo desses próximos meses”, comenta Sérgio Britto. Além de shows emblemáticos, os fãs também poderão conferir documentários de momentos marcantes da banda.

Você pode preparar a pipoca ou arredar o sofá para assistir a exibição exclusiva, às 20h de “Cabeça Dinossauro Ao Vivo”, dirigido por Oscar Rodrigues Alves, que dá o pontapé de estreia no projeto. “Como não podemos fazer shows neste período, decidimos mexer no baú e trazer para os fãs alguns dos melhores registros de shows nossos em diferentes épocas e fases”, justifica o guitarrista Tony Bellotto. “É um festival de obras importantes, escolhidas por nós, para revermos e celebrarmos com os fãs”, completa Branco Mello.

O show em questão é uma apresentação ao vivo, datada de 2012, no Circo Voador. “O Circo é um templo do rock brasileiro. É sempre bom tocar lá; a energia do público é contagiante para todos no palco e o Oscar soube captar tudo isso em imagens”, acrescenta o músico. Mas como o público não se deixaria incendiar por canções como “Homem-Primata” (Ciro Pessoa / Marcelo Fromer / Nando Reis / Sérgio Britto), “Polícia” (Tony Bellotto), “Família” (Arnaldo Antunes / Tony Bellotto), “Bichos Escrotos” (Nando Reis / Arnaldo Antunes / Sérgio Britto), que até hoje figuram entre os grandes sucessos da banda?

A escolha de “Cabeça Dinossauro Ao Vivo” é mais do que acertada. O álbum-tributo ao trabalho de estúdio, de 1986, nasceu de um show isolado no Sesc Belenzinho, em São Paulo, dentro de um projeto chamado Álbum em que artistas convidados tocavam um álbum significativo de suas trajetórias na íntegra e na sequência original. Começou a chover pedidos de shows com este repertório e o grupo viu-se na necessidade de pausar as apresentações da turnê “Futuras Instalações”. “O show foi um sucesso, ganhou turnê paralela e terminou num álbum que nem cogitávamos gravar”, lembra Bellotto, acrescentando que a banda considerava o registro ao vivo de um álbum antigo uma “moda de gringo”. O álbum marca ainda a estreia de Mário Fabre na bateria, em substituição a Charles Gavin. Ouça o álbum aqui:

O fato é que esse reencontro com as raízes impactou a banda e o trabalho de estúdio seguinte, “Nheengatu” (2014) pode ser considerado um desdobramento de “Cabeça Dinossauro ao Vivo”.

Os shows da turnê “Cabeça Dinossauro ao Vivo”, explica Belotto, não se limitavam exclusivamente ao repertório original do álbum, que deixaria o show muito curto. Após a execução, a banda parte para um generoso bis que avança nos sucessos de outros álbuns.

As sessões do Cine Titãs terão periodicidade semanal, mas nenhum dos integrantes antecipa a sequência dos trabalhos em destaque na grade. “Queremos deixar aquele clima de suspense”, admite Bellotto, que vem dividindo o período pandêmico com a família entre as casas do Rio e em Penedo (RJ) e aproveitou o período sem shows para lançar seu último trabalho literário, o romance “Dom”, um romance de ficção inspirado na vida de Pedro Dom, um jovem de classe média que se tornou chefe de uma quadrilha se assaltantes no Rio no início deste século. Na ocasião do lançamento deste trabalho, Bellotto chegou a ler trechos do livro para em lives para os fãs.

 

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