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Tributo a João Nogueira, por Didu e Simas

“O corpo a morte leva / A voz some na brisa / A dor sobe pra’as trevas / O nome a obra imortaliza”. João Nogueira, que gostava de se definir como um sambista de calçada – um meio termo entre os bambas do morro e do asfalto -, sabia das coisas. Quase 20 anos passado de sua morte, poeta ainda é um dos artistas mais venerados no meio do samba, atingindo o mesmo patamar daqueles a quem considerava ídolos como Wilson Batista, Geraldo Pereira e Noel Rosa. Sobrinho de João, o cantor e produtor Didu Nogueira uniu-se há dois anos a um velho conhecido do saudoso sambista – 0 violonista, cantor, compositor e arranjador Jorge Simas – no espetáculo Tributo a João Nogueira que, depois de percorrer vários estados, chega ao Rio nesta quinta-feira (18/7) na Casa do Choro.

A dupla tem conhecimento de causa para selecionar um fino repertório do homenageado. Didu acompanha o tio desde as origens do Clube do Samba, a famosa reunião de músicos que se realizava na casa de João no Méier. E Simas foi diretor musical dos shows do cantor por 12 anos. O repertório é de botar banca: sucessos nacionais como “Nó na Madeira”, “Mineira”, Clube do Samba”, “Eu Hein, Rosa”, ”Um Ser de Luz”, “Súplica”, “Poder da Criação” e “Espelho”. Mas há espaço para os lados B como “Pimenta no Vatapá”, “Amor de Fato” e “Beto Navalha”. “‘Beto Navalha é uma música do primeiro disco pela qual sou apaixonado. Tem também ‘Mãe Solteira’ que não é dele, mas também está no repertório desse álbum. Foi um desejo nosso incluir canções nem tão conhecidas mas que revelam a personalidade do João. E, claro, vamos contar algumas histórias dele”, antecipa Didu cujo timbre de voz guarda muitas semelhanças com o do tio.

A ideia de homenagear o tio surgiu numa temporada em que o produtor e agora cantor – acaba de se aventurar na trajetória profissional após anos cantando informalmente em diversas rodas de samba – passou na casa de Jorge Simas no Recife. “Acabamos fazendo o primeiro show por lá. E acabamos fazendo Natal, Porto Velho, Rio Branco, São Paulo, Santos e Niterói, mas sem uma data no Rio. Até porque as coisas dependem da disponibilidade de agenda do Simas. Felizmente, surgiu essa possibilidade na Casa do Choro, que é da Luciana Rabello e do Paulo César Pinheiro, um lugar mais do que apropriado”, destaca. Saiba mais sobre Didu e sua carreira solo clicando aqui.

Em 32 anos de carreira, João Nogueira gravou 18 álbuns e teve parceiros do naipe de Martinho da Vila, Toquinho, Ivor Lancelotti, Luiz Carlos da Vila, Edil Pacheco, Paulo César Feital, Noel Rosa e de Paulo Cesar Pinheiro, o mais constante de todos. Teve ainda cerca de 400 composições interpretadas artistas do primeiro time da MPB como a divina Elizeth Cardoso, Clara Nunes, Emílio Santiago, Zeca Pagodinho, João Bosco, Elis Regina e Chico Buarque entre outros. Relembre o talento deste poeta interpretando alguns de seus grandes êxitos. E no violão está o fiel escudeiro Jorge Simas:

Seu dom para o samba vem de berço. Era filho do violonista João Baptista Nogueira, contemporâneo de Donga, Pixinguinha e Jacob do Bandolim, que se referiam a ele como “Mestre”. Assim como a irmã Giza, foi desde menino embalado por valsa e choros tocados pelo pai. Mesmo sendo autodidata, o filho de João Baptista viria a tornar-se um dos sambistas mais sofisticados de sua geração.

SERVIÇO

Tributo a João Nogueira – Didu Nogueira e Jorge Simas
Casa do Choro (Rua da Carioca, 38 – Centro. Tel: (21) 2242-9947)
18/7, às 19h. Ingressos: R$ 50 e R$ 25

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