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Trutas que nadam contra a correnteza

Os Trutas
Capa do CD “Gosto Daqui”, d’Os Trutas – Foto: Divulgação

Bebendo diretamente da fonte de bandas como O Terço e Sá, Rodrix e Guarabira, Os Trutas é a caçula de um movimento que parecia esquecido no horizonte da MPB: o rock rural. Formada em Visconde de Mauá, um paraíso ecológico no sul fluminense, o grupo é formado por Pedro Gracindo (voz e guitarra), Leandro Souto Maior (guitarra), Fabiano Soares (baixo e vocais) e Keila Gomes (bateria).
O nome vem dos deliciosos peixes de água doce, que sobem as corredeiras de Mauá para desovar. Neste caso, a banda segue o fluxo inverso e deixa, aos poucos, seu habitat para mostrar seu trabalho para além dos limites do interior e lança o CD “Gosto daqui”, com uma mistura de rock, blues e folk.

Nadando por águas cristalinas da montanha, Os Trutas começaram a fazer barulho na cena musical local, tornando-se em pouco tempo uma das maiores referências musicais do interior fluminense.

Em tempos de caldeirada sonora proporcionada pela era da informação e revolução digital, a banda sugere um pé no freio, um olhar mais atento sobre a natureza, a vida mais simples e despojada de certos aspectos da vida moderna — um “pensar sobre existir”, como diz a letra de “Gosto daqui”, música que dá título e abre o primeiro álbum do grupo:

“Os Trutas querem abrir trincheiras de alegria no cenário da música brasileira, querem fazer o Brasil cantar suas canções, que falam das coisas simples da vida, explica Souto Maior, um jornalista que largou as redações cariocas para viver na bucólica Visconde de Mauá, no melhor estilo “eu quero uma casa no campo”, cantado por Sá, Rodrix e Guarabyra, nos anos 70.

Ouvir o CD todo tingido de preto com um pequeno selo no meio, no melhor feitio bolacha de vinil nos ajuda a entrar no clima setentista do trabalho com destaque para as faixas “Homem bom” e “Poeira de estrela”. Nas apresentações ao vivo, o grupo gosta de apresentar suas influências, com releituras blues para a toada “Tocando em frente” (Renato Teixeira/Almir Sater) ou para a balada nordestina “De volta pro aconchego” (Dominguinhos/Nando Cordel).

Os Trutas podem até nadar contra a correnteza da música brasileira que se faz hoje, mas atravessam pelas melhores águas com louvor.

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