MPBSamba

Verônica Sabino canta Martinho. E sem plagiar

Verônica Sabino

No ano passado, no auge da pandemia, a cantora Verônica Sabino e o violonista Luís Filipe de Lima se apresentaram numa live em que apresentaram obras de Martinho da Vila. O projeto virou um álbum, lançado em abril deste ano, e agora ganha o merecido formato de show ao vivo com plateia. Escoltados pelo craque da percussão Marcos Suzano, Verônica e Luís Filipe sobem nesta sexta-feira, às 19h30, o palco do Teatro Rival Refit.

“Mesmo já tendo cantado samba, saí da minha zona de conforto, principalmente porque o Martinho é diferente, diferente de tudo; parece fácil, mas é muito sofisticado”, destaca Verônica, que ganhou o aval de Martinho ao ser convidada a gravar com ele em duas faixas – “O Caveira” e “Pensando Bem” – do mais recente CD, “Rio Só Vendo a Vista” (2020).

Vêronica Sabino e Luís Filipe de Lima em leitura caprichosa da obra de Martinho da Vila - Foto: Divulgação
Vêronica Sabino e Luís Filipe de Lima em leitura caprichosa da obra de Martinho da Vila – Foto: Divulgação

“Meu laiaraiá – Ao Vivo”, de Verônica e Luís Filipe, traz nove releituras em tom intimista e afetivo, com o violão 7 cordas de Luís Filipe e a percussão de Suzano imprimindo o peculiar suingue do universo musical de Martinho, que será tema do enredo de sua escola, a Vila Isabel, no próximo carnaval.

A concepção do espetáculo que virou CD e volta aos palcos passou pelo filtro da cantora, pela identificação com os temas tão variados na obra do compositor, que o violonista soube compreender traduzir para a interpretação dela.
Devagar, devagarinho, o repertório do show combina sucessos retumbantes do sambista – como “Disritmia”, “Ex-amor” e “Renascer das cinzas” – com pérolas menos conhecidas, a exemplo de “Samba da Cabrocha Bamba” e “Madrugada, Carnaval e Chuva”. Um dos destaques é a regravação de “Madalena do Jucu”, que ganhou arranjos em ritmo de funk a partir da percussão de Suzano.

“Mergulhar nesse repertório é ativar aquele Brasil que nos enche de orgulho e tão bem nos representa. Estamos vivendo um momento triste e desafiador, e compartilhar este trabalho – que fala de samba, de alegria, de carnaval, de amor, de solidariedade – é muito valioso. A música é sempre um poderoso antídoto para tempos hostis”, reflete Verônica Sabino.

“Sempre tive o samba do Martinho na minha memória afetiva musical. Sendo brasileira e tendo nascido no Rio, é quase marca de nascença. Mas agora o encantamento se expandiu para a sua trajetória, para as histórias, a avenida, Vila Isabel, tantas belezas”, acrescenta Verônica.

E o melhor de tudo é que aqui Martinho é devidamente homenageado. Sem plágios.

Deixe uma resposta