Álbuns Históricos

Vila Sésamo e sua deliciosa trilha sonora

vila sésamo

Carlos Monteiro
Especial para Na Caixa de CD

 

O elenco de Vila Sésamo, exibido entre 1972 e 1977 - Foto Divulgação
O elenco de Vila Sésamo, exibido entre 1972 e 1977 – Foto Divulgação

“Todo dia é dia, toda hora é hora…” Vila Sésamo marcou época. Durante cinco anos – de 1972 até 1977 – animou as manhãs e tardes da criançada. Produzido pela Rede Globo em parceria com a TV Cultura de São Paulo, o programa infantil era apresentado simultaneamente pelas duas. A partir de 1974 a Globo assume a obra. Foi ao ar pela primeira vez em 12 de outubro de 1972, Dia da Criança.

Uma vila operária, onde os personagens eram tipicamente brasileiros: Armando Bógus, era o ‘Juca’, um faz-tudo com habilidades para consertar qualquer coisa. Estava sempre de bom humor. Era casado com ‘Gabriela’, interpretada por ninguém menos que Aracy Balabanian. Uma senhora doceira, típica dona de casa. ‘Ana Maria’, interpretada pela linda Sônia Braga, era a professora divertida, espirituosa e alegre. Namorava o personagem de Flávio Galvão, o motorista de caminhão ‘Antônio’.
Compunham ainda o elenco: Paulo José como ‘Mágico’, Flávio Migliaccio o ‘Edifício’, Laerte Morrone, que dava vida ao boneco, desengonçado, Garibaldo – uma mistura de galinha com pato e Chester -, Manuel Inocêncio fazia ‘Seu Almeida’, o dono da vendinha da vila e Milton Gonçalves no papel de ‘Professor Leão’ e , também, diretor da atração.

Adaptação do programa “Sesame Street” americano, em 1973 passou a ser absolutamente nacional. Com textos de Carlos Alberto Seidl, Dinah Silveira de Queiroz, Ivan Lessa, Marcos Rey e Ronaldo Ciabrone, coube a Naum Alves de Souza criar as versões brasileiras dos bonecos Gugu, o eterno mal-humorado que morava num barril – quase um Chaves em forma de boneco e Garibaldo, que adorava aprender coisas novas. Havia também o Funga-Funga, mistura de elefante com rato, só aparecia para o Garibaldo e para as crianças, é claro. Representava o ‘amigo imaginário’ do personagem de Morrone. Completavam a turma o Monstrinho Come-Come, como bordão “biscoooooooito!”, Beto, que tinha que ensinar tudo ao bobalhão e desatento Ênio.

Fruto de mais de três anos em pesquisas, os bonecos foram especialmente pensados para que as crianças imediatamente assimilassem, por meio dos heróis factíveis – erravam, tinham dificuldades de aprender determinadas coisas – que aquelas personalidades e atitudes eram muito parecidas com as suas criando uma empatia gigantesca entre audiência e personagens. Outro fator importante era que o programa, uma soma de esquetes, com não mais que três minutos, prendia a atenção de todos repetindo, sucessivas vezes, a mesma mensagem com intuito de fixá-la. Esta pesquisa revelou a falta de concentração após esse tempo. Em, quase, 50 anos, a duração apenas diminuiu. Hoje, para geração F5, qualquer coisa que dure mais de trinta segundos é capaz de tirar o interesse. Assista um episódio aqui:

Em tom de brincadeira, Vila Sésamo ensinava, de forma absolutamente didática. Estimulava, os telespectadores mirins, levando-os a raciocinar. Funcionava como uma espécie de alfabetizadora eletrônica, com noções básicas de letras, números e cores.

capa do LP da trilha sonora de Vila Sésamo, lançado em 1974 pela Som Livre, uma raridade - Foto: Divulgação
capa do LP da trilha sonora de Vila Sésamo, lançado em 1974 pela Som Livre, uma raridade – Foto: Divulgação

Em 1973, a trilha original americana foi substituída por músicas compostas pelos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle. O tema de abertura, “Alegria da Vida”, contou, também, com a participação de Nelson Motta na autoria. “Todo dia é dia, toda hora é hora/De saber que este mundo é seu/Se você for amigo e companheiro, com alegria e imaginação!/Vivendo e sorrindo,/Criando e rindo,/Será muito feliz e todos… /Serão também!”. Curta, com melodia ‘suingada’, “foi gravada com piano Fender Rhodes e o acompanhamento da orquestra do maestro Waltel Branco”. conta Marcos Valle, que compunha o Trio Soneca, com os cantores João Mello e Suzana Machado. No time de músicos, Alex Malheiros e Novelli (baixo), Ivan Conti “Mamão” e Nelsinho (bateria). Os arranjos de base foram assinados por Marcos Valle, que dividiu a produção artística da trilha que era era contagiante e serviu para destacar diversas situações cotidianas se transformando em um ‘bordão’ insinuando que não havia hora ou dia para se fazer algo. Em 1974 foi lançado o LP pela Som Livre, uma raridade que você ouve aqui:

 

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Em parceria com a Sesame Workshop, no ano de 2008, Vila Sésamo ganhou nova versão na TV Cultura e trilha nas vozes de Vanessa da Mata, Zélia Duncan, Zeca Baleiro, Fernanda Takai, André Abujamra e Badi Assad, com letra e música de Arthur Nestrovski. O tema “Alegria da Vida” ganhou, no exterior, um prêmio de melhor música feita para uma adaptação do Sesame Street. Agora é relembrar: põe o som na caixa e grita: “Biiiiiiiiisssssssssssssscoooooooito!”.

 

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