Choro

50 anos sem Jacob do Bandolim

Nesta terça-feira (13) a música brasileira registra 50 anos sem um de seus maiores instrumentistas, Jacob do Bandolim (1918 – 1969). Os aficionados pelo chorinho têm por esses dias dois belos momentos de homenagem ao mestre. Nesta terça, Deo Rian comanda uma roda de choro no Bip-Bip, a partir das 19h30. E na quarta (14), o bandolinista e pesquisador paulista Flávio Dalcin apresenta, às 19h, no Espaço BNDES, um com os maiores sucessos de Jacob e algumas peças inéditas. “Jacob costumava dizer que o Brasil era um país sem memória e começou a catalogar todos os seus trabalhos”, conta o intérprete. São inúmeras fotos, partituras, 200 fitas de rolo com os áudios dos ensaios, dos saraus que organizava em sua casa, em Jacarepaguá, e programas de rádio em que ele se apresentava.

Aos amigos e parentes, Jacob sempre dizia que o arquivo era a sua vida. Na tarefa, passava dias e madrugadas datilografando fichas nas quais catalogava suas quase 6 mil partituras, suas fotos. E gravava, ainda, centenas de programas de rádio, discos e saraus em seus gravadores, constituindo o maior arquivo conhecido do gênero choro. Também guardava capas de discos, recortes de jornal, cartas e bilhetes e partituras de outros compositores. Em 2007, por iniciativa de Hermínio Bello de Carvalho e de Elena Bittencourt, filha de Jacob, foi firmado um convênio entre o Instituto Jacob do Bandolim e o Museu da Imagem e do Som para que as fitas fossem digitalizadas. O trabalho levou sete anos para ser concluído.

“Jacob tinha um processo criativo intenso e por ter morrido de forma precoce, aos 51 anos, deixou muito material. Ouvindo as fitas ou vasculhando as partituras, podemos encontrar canções incompletas como Noite Sem Fim e Escravidão”, comenta o pesquisador que, em 2018, lançou o CD Jacob do Bandolim-Outras Composições com foco na garimpagem musical que tem feito no baú do do mestre nos últimos anos.

A última composição

Partitura de “Jeitoso”, a última composição de Jacob, feita quatro dias antes de sua morte (Foto: Reprodução)

O bandolinista paulista e seu regional formado pelos cariocas Pedro Cantalice (cavaquinho), Marcelo Montsserat (violão sete cordas), Iuri Bittar (violão seis cordas) e Magno Júlio (pandeiro) vão executar 15 canções de Jacob do Bandolim, sendo algumas inéditas como Jeitoso: “É a última composição dele. Foi escrita no dia 9 de agosto de 1969, um sábado. Ensaiou com o regional dele no dia seguinte, e faleceu no dia 13”, lembra.

Algumas fontes de informação dão conta de que que o bandolim não foi o primeiro instrumento de Jacob que, durante a infância no bairro da Lapa, ouvia um vizinho francês e cego tocar violino e chegou a ser presenteado aos 12 anos com um. Por não se adaptar ao arco do violino, Jacob começou a tocá-lo usando grampos de cabelo. Pouco depois, ganharia o primeiro bandolim, um modelo de cuia, napolitano.

Autodidata, praticava repetindo os trechos de músicas que ouvia em casa e na rua. O primeiro choro que lembra de ter ouvido foi É Do Que Há, de Luiz Americano. Em 1933, apresentou-se pela primeira vez na Rádio Guanabara, ainda como amador, com o conjunto Sereno, formado por amigos. Tocaram o choro Aguenta Calunga, de autoria de Atilio Grany. Jacob ainda tocava de ouvido e, instisfeito com sua performance, decidiu praticar ainda mais. A carreeira profissional teve início no ano seguinte quando venceu um concvurso na mesma emissora. A partir daí, passou a acompanhar os maiores nomes da época como Noel Rosa, Augusto Calheiros, Ataulfo Alves, Carlos Galhardo e Lamartine Babo. Morreu vítima de infarto fulminante quando regressava da casa do velho amigo Pixinguinha.

“Rodas são uma graduação em música”

Natural de São Paulo, Fernando Dalcin iniciou-se aos 9 anos de forma autodidata, tocando originalmente cavaquinho. “Por ter iniciado muito jovem, posso dizer que tive o privilégio de crescer nas rodas de choro tradicionais de São Paulo e pude conviver e, sobretudo, aprender com os antigos chorões. Como toda tradição oral, o choro se aprende na prática, no caso, nas rodas. É como uma graduação em música”, compara o solista. lcin e seu regional em ação  interpretação de Pra Você, do mestre Jacob do Bandolim:

 

SERVIÇO

50 Anos sem Jacob do Bandolim
Roda de Choro comandada por Deo Rian – 13/8, a partir das 19h30, no Bip-Bip (Rua Amirante Gonçalves, 50 – Copacabana – Entrada franca
Fernando Dalcin & Regional – 14/8, a partir das 19h, no Espaço BNDES (Av. Chile, 100 – Centro) – Entrada franca

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