Rock

A morte de Charlie Watts é um choque

charlie watts

Por Paulo Roberto Andel

Há muitos anos, milhões de fãs por todo o mundo acreditaram que os Rolling Stones eram imortais, e a longevidade da banda certamente alimentava essa doce ilusão. Mas nada é eterno e, por isso, Charlie Watts acaba de morrer, aos 80 anos, em um hospital em Londres.

A informação foi divulgada por seu assessor de imprensa, que não informou o motivo da morte. No início do mês, o músico precisou passar por uma cirurgia de emergência, mas só divulgou se tratar de uma “questão médica não especificada”. Em 2004, Charlie Watts fez o tratamento para um câncer de garganta. “É com imensa tristeza que anunciamos a morte do nosso amado Charlie Watts. Ele faleceu de forma serena hoje mais cedo num hospital em Londres, cercado por sua família”, diz o comunicado enviado pelo assessor à imprensa britânica.

“Charlie foi um marido, pai e avô querido e também um membro dos Rolling Stones, um dos maiores bateristas de sua geração. Gentilmente pedimos que a privacidade de sua família, colegas de banda e amigos próximos seja respeitada neste momento difícil.”

Só tínhamos visto um Stone morto nos anos 1960, Brian Jones, ainda no início de uma longa jornada.

Os Stones certamente vão continuar, apesar desse duro golpe. Sobreviveram às perdas de Brian Jones e Bill Wyman. Contudo, dá para dizer que hoje se foi uma das mais fascinantes joias da história do rock. Talvez a mais elegante delas.

Alternando suas baquetas nas peças da bateria no estilo jazzy, Charlie Watts foi aclamado mundialmente pelo público a cada show. Ele passava a falsa impressão de “tocar simples” quando havia uma tremenda complexidade naquilo. Seu jeitão de cavaleiro imperial inglês dava um contraste à banda – não que fosse um monge, vide as loucuras stonianas dos anos 1970 -, mas ele passou por cima e despejou sua classe por cima da mais emblemática banda de rock da história.

Fora da banda, Charlie era o que parecia, um jazzman, e deixou sua assinatura em álbuns do gênero.

Os Rolling Stones seguirão sem Charlie Watts, mas a dor dessa perda é gigantesca - Foto: Divulgação
Os Rolling Stones seguirão sem Charlie Watts, mas a dor dessa perda é gigantesca – Foto: Divulgação

Os Rolling Stones perdem um braço, mesmo já se imaginando que o espetacular Steve Jordan dará conta do recado. Um braço forte. Com sua elegância e talento, Charlie Watts era uma presença fundamental na banda. Na verdade é.

Para quem o ouve há mais de quarenta anos feito eu, fica um gosto de saudade, lágrimas e muito agradecimento por uma batida classuda, marcante e única, que é a marca dos grandes artistas. Você pode gostar ou não de Charlie Watts tocando bateria, mas ninguém se parece com ele tocando. É uma assinatura única.

Meu amigo Affonso me avisou e senti uma dor como se fosse a notícia de um parente. Estou com os Stones desde criança. Claro, chegou a hora do inevitável, mas a gente sempre sonhava com a eternidade dos Rolling Stones.

Charlie Watts era demais. É só. Vamos ficar aqui com sua classe durante vídeo de ensaio da banda:

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