Coluna do Aquiles

Banda de Pau e Corda passando o baião a limpo

Banda de Pau e Corda

Por Aquiles Rique Reis*

Capa do álbum 'Missão de Cantador', da banda de Pau e Corda - Foto: Divulgação
Capa do álbum ‘Missão do Cantador’, da banda de Pau e Corda – Foto: Divulgação

Há décadas sem gravar um álbum com músicas inéditas, agora com nova formação, a Banda de Pau e Corda lança “Missão do Cantador” (Biscoito Fino). Pernambucana, segue embalada pela diversidade de ritmos e sons brasileiros.

Ao revigorar o repertório, o sexteto – formado por Sérgio Andrade (voz e vocal), Júlio Rangel (viola e vocal), Yko Brasil (flauta), Zé Freire (arranjo, violão e vocal), Sérgio Eduardo (contrabaixo) e Alexandre Barros (pandeiro, bateria, surdo e vocal) – atualiza seu olhar sobre a música nordestina.

A cada faixa de “Missão do Cantador”, com gêneros diversos, por vezes a sonoridade de cada um pode confundir o ouvinte, levando-o a achar que tudo é baião; tudo é frevo. 

Pois bem, mandei um e-mail para Zé Freire (um dos integrantes da Banda de Pau e Corda) pedindo-lhe que apontasse o gênero de cada música. A resposta: Essa missão é difícil, cara. Pra algumas músicas, na verdade… vou tentar uma opinião do grupo todo”.

Veio o esclarecimento: “Missão do Cantador” (Sérgio Andrade) é um… baião. Na intro a viola ponteia, a flauta vem pra roda, juntos vão à melodia. A batera embala. O ritmo traz o baião. Os cantos vocais vêm em duo. A letra traz versos engajados: “(…) Eu vou onde tenho que ir/ Onde tem gente precisando ouvir/ Porque na voz do cantador/ Tem água pra matar a sede/ Tem pão pra matar a fome/ Tem chave pra guardar segredo/ E abrigo pra quem não tem nome (…)”

Segundo a banda, os gêneros musicais são múltiplos. Por exemplo, “Estrela Cadente” (Waltinho e Sérgio Andrade) é um arrasta pé, com participação especial de Mestre Genaro. Quanto a “Sonho Interior” (Sérgio Andrade), bem-humorados, eles confessam: “Ninguém sabe…”

Tudo Num Balaio Só” (Natan Marques e Murilo Antunes) tem participação especial de Zeca Baleiro. “Segundo o compositor, o original é uma ‘catira’ (ou ‘cateretê’), que transformei em baião, com um trecho de maracatu”, diz Zé Freire.

“Sinais” (Sérgio Andrade) é uma balada. Guardador de sonhos” (SA), um baião. “Fogo de Braseiro” (SA) é um baião tipo banda de pífanos, com participação especial de Chico César (voz) e Alexandre Rodrigues (pífano) e uma música incidental,“A Briga do Cachorro Com a Onça” (Sebastião Biano). Desvario” (SA) é um xote. Se ou Sê” (SA e Rafael Mouro) é uma valsa: (…) E se no fim eu for assim/ Como sonharam (…)

Sem Fim” (SA), outra valsa. Sonhadora” (Waltinho e SA), uma modinha. Força Oculta” (Waltinho e SA) é um Ajujah, com participação dos autores.  “Quer Mais o Quê?” (Marcelo Rangel) é um frevo-canção, com participação do autor. 

“Missão do Cantador” é onde o Nordeste pulsa, o instrumental é marcante e as vozes íntegras, louvadas na diversidade de gêneros.

Ficha técnica: produção executiva: Rafael Moura; repertório: Sérgio Andrade; mixagem: Junior Evangelista (estúdio Carranca, Recife); masterização: Ricardo Essucy (estúdio Cia dos Técnicos, RJ); capa: Elifas Andreato; produtor: José Milton. (produtor dos sete primeiros discos da Banda de Pau e Corda).

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