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Casa do Choro promove festival

Fachada da Casa do Choro, localizada na Rua da Carioca, com Centro do Rio - Foto: Fabiano Battaglin

Dia 23 de abril, aniversário de Pixinguinha, é também o Dia do Choro, esse gênero tão brasileiro e tão carioca, que agoniza mais que o samba, mas também não morre. Não morre graças ao resistente e necessário de trabalho de instrumentistas, pesquisadores e instituições como a Casa do Choro que realiza até esta sexta-feira (23) o III Festival da Casa do Choro com uma maratona musical gratuita e virtual, que inclui workshops de formação e shows de Luciana Rabello, Cristóvão Bastos, Mauricio Carrilho, Jayme Vignoli, Rui Alvim, Pedro Aragão e Paulo Aragão, entre outros grandes nomes da música instrumental, com tudo transmitido através da plataforma Casa do Choro Digital.

A programação inicia com aulas de instrumento na parte da manhã e aulas na parte da tarde sobre prática de conjunto (mediante inscrição gratuita) em formato de workshops que vai das principais orquestras até a história da percussão, composições e arranjos para juntar músicos no choro. Os shows, também gratuitos, traçam um panorama da produção atual de novos compositores que perpetuam o gênero e prestam homenagens a dois grandes músicos:  Dominguinhos, que completaria 80 anos; e ao centenário do compositor, maestro e multi-instumentista Zé Menezes.

O III Festival da Casa do Choro também leva as concorridas rodas para o instagram da @casadochoro, com transmissão ao vivo. “Vai ser interessante ver o festival nesse novo formato, adequado aos tempos de pandemia. Se por um lado os shows e as aulas não podem ser presenciais, por outro a transmissão dos eventos pela internet faz com que as apresentações passem a ter um alcance muito maior que em qualquer edição anterior. Nossa programação poderá ser acompanhada de qualquer canto mundo”, conta o músico e jornalista Pedro Paulo Malta, apresentador das rodas de choro virtuais. O evento tem patrocínio dos governos federal e estadual, por meio da Lei Aldir Blanc.

Quando reúne estudantes, profissionais e amadores de várias partes do Brasil e do mundo num mesmo ambiente virtual, a Casa do Choro segue prestando seus inestimáveis serviços à difusão, preservação, produção contemporânea, democratização e a internacionalização da música brasileira, em particular do nosso amado choro.

casa do choro Luciana, Cristóvão e Carrilho - Foto: Flora Pimentel
Luciana Rabello, Cristovao Bastos e Mauricio Carrilho

E esse caso de amor teve começo em 2000, quando a cavaquinista Luciana Rabello (irmã do saudoso Rafael Rabello) uniu forças com Mauricio Carrilho, mestre no violão e sobrinho do flautista Altamiro Carrilho, Celsinho Silva, Álvaro Carrilho e Pedro Amorim para criar a Escola Portátil de Música (EPM) – com um corpo docente formado por nomes como Cristóvão Bastos, Paulo Aragão, Jayme Vignoli, Amelia Rabello, Rui Alvim e Bia Paes Leme – que logo tornou-se um curso de extensão na graduação em Música da UniRio/Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

Mais de 20 mil pessoas passaram pelos bancos da EPM nestes 21 anos, tempo também de existência da Acari Records, primeira e única gravadora de choro do mundo, dirigida pela dupla e dona de um catálogo com mais de 76 títulos.

Há seis anos a Casa do Choro abriu suas portas para o público, e agora todo esse trabalho de memória, educação e produção musical encontram abrigo na Rua da Carioca, número 38. O sobrado histórico construído no início do século 20, temporariamente fechado em função da pandemia, mantém a tradição de importante capítulo na história da música brasileira que o local possui, já que nessa rua ficavam as principais “casas de música” da cidade nas primeiras décadas do século 20.

O espaço tem oito salas de aula, um estúdio de gravação, um auditório com 100 lugares que já recebeu 632 shows de 2015 e até o momento. “É uma conquista não só dos chorões, como de todos que gostam da boa música brasileira, dessa música que é um alicerce da cultura do nosso país”, observa Luciana Rabello, diretora e fundadora da Casa do Choro. E terá vida longa no que depender desses chorões e do Conselho do Instituto – formado por importantes personalidades como Paulo César Pinheiro, Dori Caymmi, Maria Bethânia, Hermínio Bello de Carvalho, Déo Rian, Kati de Almeida Braga, Luiz Otávio Braga, Paulo Cesar Feital, Roberto Almeida, Roberto Gnattali e Sergio Prata (Instituto Jacob do Bandolim). Longa vida a este projeto e longa vida ao nosso amado chorinho!

III FESTIVAL DA CASA DO CHORO

Data: 19 a 23 de abril de 2021
Local: www.casadochoro.com.br/digital
Horário: 10 às 21h
Classificação: Livre
GRÁTIS

PROGRAMAÇÃO DE AULAS

Diariamente, aulas de instrumentos (manhã) e sobre prática de conjunto no choro (tarde) gratuitas em www.casadochoro.com.br/digital

19/4, às 15h: Principais Conjuntos da História do Choro, com Luciana Rabello e Sergio Prata
20/4, às 15: História da Percussão nos Conjuntos de Choro, com Marcus Thadeu e Gabriel Leite
21/4, às 15h: Composições e Arranjos para juntar músicos, com Mauricio Carrilho e Jayme Vignoli
22/4, às 15h: Os Flautistas e os Conjuntos de Choro, com Tomaz Retz e Leo Miranda
23/4, às 15h: As Orquestras de Choro, com Pedro Aragão e Paulo Aragão

 

PROGRAMAÇÃO DE SHOWS

Gratuitos, em www.casadochoro.com.br/digital

19/4, às 21h: Homenagem a Zé Menezes e Dominguinhos com mestres da Escola Portátil de Música
20/4, às 21h: Mostra de Compositores, uma seleção da produção atual de novos compositores do choro
21/4, às 21h: Trio Julio, com Maycon Julio (bandolim), Marlon Julio (violão) e Magno Julio (percussão)
22/4, às 21h: João Lyra (violão) e João Camarero (violão)
23/4, às 21h: Cristóvão Bastos (piano), Mauricio Carrilho (violão) e Rui Alvim (clarinete).

PROGRAMAÇÃO DE RODAS DE CHORO

Dias 19, 21 e 23 de abril com apresentação de Pedro Paulo Malta no Instagram @casadochoro

 

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