Rock

Charlie Watts, o toque de jazz no rock, e seus 80 anos

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Por Paulo Roberto Andel

Em fevereiro de 1995, o Maracanã tremeu com a primeira apresentação dos Rolling Stones no Brasil. O show começou com o cover de “Not Fade Away”, tema de Buddy Holly, numa versão com percussão quase tribal, comandada pelo baterista Charlie Watts, que incendiou a plateia logo de cara. Assista aqui o número durante show da banda em Nova Jersey (EUA), em 1994, na mesma turnê que meses depois pisaria em solo carioca:

Charlie Watts e a baqueta no ar, marca registrada de um legítimo jazzman - Foto: Reprodução
Charlie Watts e a baqueta no ar, marca registrada de um legítimo jazzman – Foto: Reprodução

Um dos mais discretos popstars de todos os tempos, Charlie Watts deu aos Stones o toque de elegância plena de sua bateria, uma máquina de ritmo e precisão que soa forte mas macia. Jazzman convicto, Charlie quase sempre deixa uma baqueta no ar enquanto a outra toca o instrumento. Raramente dá entrevistas, não pertence ao catálogo dos paparazzi e não se envolve em qualquer escândalo. É tido como um símbolo de elegância do rock por causa da postura e por seus ternos, que sempre veste quando não está no palco.

Curioso é pensar que Charlie, alguém que passa tanta calma e serenidade, também tenha tido seus dias de loucura com as drogas nos anos 1970, talvez chegando perto de igualar o insuperável Keith Richards. Foi questão de uma época, que ele superou. Não é a única excentricidade do espetacular baterista: ele também coleciona alguns carros em casa, porém não tem habilitação para dirigir.

Ainda sobre o jazz: o gênero é a paixão de muitos músicos e especialmente de grandes bateristas. O falecido Neil Peart era um grande apreciador. O aposentado Bill Bruford gravou álbuns de jazz e excursionou. Há vários outros casos, mas é Charlie Watts a perfeita tradução do jazz hospedado no rock n’ roll, no estilo, na técnica e na personalidade, geralmente muito saudado a cada final de show dos Stones. Um ídolo discreto, silencioso mas não menos marcante. Conheça seu trabalho soro pelas searas do jazz no álbum que o músico gravou com a The Danish Radio Big Band:

Completando 80 anos, ele e sua banda ainda dão as cartas na música do mundo. Rolling stones gather no moss.

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