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Dark Side of the Moon, o clássico floydiano em releitura sinfônica

Isaac Karabtchevsky, regente da Orquestra Petrobras Sinfônica destaca o parentesco entre as sonoridade da banda inglesa e o movimento modernista – Foto: Fábio Rossi/Divulgação

Um dos marcos estéticos da história do rock, o álbum Dark side of the Moon, lançado há 45 anos pelo Pink Floyd, até hoje ocupa o terceiro lugar na lista dos mais vendidos da história, com mais de 45 milhões de cópias, e já recebeu vários tipos de releituras em outros estilos. Sob a regência de Isaac Karabtchevsky, a Orquestra Petrobras Sinfônica (Opes) apresentará nesta quinta e na seguinte (8 e 15, respectivamente) o trabalho na íntegra no Vivo Rio. A transposição de clássicos como Money, Us & Them e Eclipse para a música de concerto faz parte da proposta da Opes de ampliar seu repertório e, assim, formar novos públicos. E funciona. Tanto que os ingressos já estão esgotados para as duas audições.

No entendimento do maestro, a banda surgida em Londres, em 1965, dialoga com a música concreta. “Após a Segunda Guerra, há um momento de desolação da sociedade. Os compositores eruditos passaram a usar os ruídos da natureza, do meio urbano, as manifestações de rua… Tudo isso foi incorporado à música, numa nova conotação estética. E a obra do Pink Floyd encontra similaridades com esse movimento”, afirma Karabtchevsky, que vai reger 60 músicos e um pequeno coral.

Um álbum com vocação sinfônica

Os arranjador Ricardo Maia teve a preocupação de apresentar a parte instrumental das dez canções do álbum sem abrir mão da musicalidade dos vocais principais da obra. No caso, as vozes de Roger Waters e David Gilmour – vocalistas e principais compositores da banda – são substituídas ora por instrumentos de sopro como o sax alto e o clarinete ora por um violino. “Tudo que foi idealizado na gravação original do álbum, exceto os vocais principais, nascem com a vocação sinfônica”, observa o regente, que já apresentou trabalhos semelhantes com a música de Michael Jackson e do ex-Titãs Nando Reis. Esse formato de apresentação já reuniu mais de 20 mil pessoas nos
últimos dois anos. Vejam uma versão de mega hit Beat It, de Michael Jackson, com regência do maestro Felipe Prazeres.

Apesar de suas letras densas, filosóficas e das experimentações musicais, o Pink Floyd conseguiu a proeza de ser uma banda bem-sucedida em termos de vendas. O auge criativo de Dark side of the Moon, que estabelece um interessante flerte com notas jazzísticas, foi o primeiro trabalho do quarteto britânico a entrar para a lista dos mais vendidos, ficando nas paradas americanas por 741 semanas e assegurando lugar entre os 200 álbuns definitivos do Rock and Roll Hall of Fame.

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