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Documentário sobre o sincretismo de Maria Bethânia chega ao DVD

Maria Bethânia

Depois de ser exibido em dezenas de festivais de cinema pelo mundo, em países como Canadá, França, Rússia, Suíça, Espanha, Itália, Chile, Uruguai, Congo e Senegal, o documentário “Fevereiros”, dirigido por Marcio Debellian, acaba de ser lançado em DVD, via Biscoito Fino. O longa acompanhou Maria Bethânia do Rio de Janeiro, no vitorioso desfile da Mangueira de 2016, até Santo Amaro da Purificação, cidade natal da cantora.

Com olhar atento e não invasivo, o documentário acompanhou a construção do carnaval da Verde e Rosa, desde os desenhos das primeiras alegorias, até os desfiles no Sambódromo carioca. “O que me interessou desde o início, independente do resultado que o carnaval viria a ter, foi o recorte que a Mangueira escolheu para o enredo. Entre as inúmeras possibilidades de se homenagear Maria Bethânia, a escola escolheu tratar da sua devoção religiosa, do seu sincretismo pessoal que junta o candomblé, devoção católica e sabedorias herdadas dos índios”, lembra o diretor Marcio Debellian.

O documentário registra os momentos singelos da religiosidade da artista, como nas cenas em que está na igreja adornando uma imagem de Santa Bárbara – que é Iansã no sincretismo entre as duas crenças. “Tive uma preocupação de não ser invasivo. Eram momentos muito especiais para ela, como na diversão durante o carnaval ou diante da santa, mais concentrada, seu momento de fé. Queria que ela fosse viver plenamente e se esquecesse de que havia uma câmera. Ela não tinha um compromisso de atuar no filme, simplesmente estava vivendo a vida dela e me permitiu acompanhar isso, sabendo, claro, que eu respeitaria seu espaço”.

Produzido pela Debê Produções – em coprodução com Globo Filmes, GloboNews e Canal Brasil -, o filme também viajou com Maria Bethânia para o Recôncavo baiano, registrando o ambiente familiar e religioso da cantora, além das festas em Santo Amaro da Purificação, universo que inspirou o enredo. Neste trânsito entre o Rio de Janeiro e a Bahia, “Fevereiros” depara-se com questões históricas como o surgimento do samba, a tolerância religiosa e o racismo.

“O Recôncavo baiano, região onde Bethânia nasceu, tem a particularidade de ter sido o lugar no Brasil que mais recebeu negros escravizados trazidos da África. A Bahia soube misturar as tradições africanas, indígenas e portuguesas e transformá-las em expressões originais brasileiras”, define Debellian.

O documentário reúne depoimentos de Maria Bethânia, Caetano Veloso, Chico Buarque, do carnavalesco da Mangueira Leandro Vieira, do historiador Luiz Antonio Simas, da poeta Mabel Velloso, irmã de Bethânia, e do porta-bandeira da Mangueira Squel Jorgea. Há dois anos, quando o filme foi lançado, tive a oportunidade de entrevistar o diretor Marcio Debellian. Veja a matéria completa. 

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Foto em destaque: Jorge Bispo

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