Jazz

Erik Satie tem sua mobília musical rearrumada

andré balboni
erik satie
O compositor francês Erik Satie – Foto: Reprodução

O francês Erik Satie (1866-1925) é um daqueles casos típicos de compositores que não são conhecidos pelo grande público embora seus temas sejam populares a ponto de você já ter ouvido alguns deles no rádio, em trilhas sonoras de cinema, comerciais de TV ou mesmo no som ambiente de salas de espera ou elevadores. O próprio Satie chegou a batizar seu estilo de composições como “música-mobília”, ou seja, um tipo de música que poderia, por exemplo, ser executada durante um jantar e funcionar como uma discreta atmosfera de fundo para o evento em si, ao invés de servir como foco de atenção e apreciação direta.

Sua obra mais famosa nessa perspectiva é, sem dúvida, “Gymonopédie nº 1”, usada nas trilhas de sonoras de filmes como “A Outra” (1988), de Woody Allen; “Meu Jantar com André” (1981), de Louis Malle; no thriller “Diva” (1981), de Jean-Jacques Beineix; “The Royal Tenenbaums” (2001), de Wes Anderson; no documentário “Man on Wire” (2008), de James Marsh; e em “Mississipi Grind” (2015), de Anna Boden e Ryan Fleck.

Capa do álbum ‘Satie for Lovers’, do pianista André Balboni – Fotos: Divulgação

Pianista, compositor e com álbuns dedicados a trilhas de cinema, André Balboni joga luz sobre a obra do compositor Satie, mas lançando um olhar jazzístico sobre os temas criados pelo músico francês no álbum ‘Satie for Lovers” (independente). “Encontrei com o Satie nas minhas primeiras experiências musicais; o que me levou a tocar piano. Erik Satie oferece um estilo de música que difere das demais por propiciar aos músicos em geral uma forma de ritual”, destaca Balboni, que também trabalha como professor, produtor musical e compositor de trilhas para filmes, documentários e espetáculos de dança. “Estamos falando de uma performance que faz com que você abra espaço para brotar uma música que não dependa tanto da personalidade – isto é, o que importa é a música em si mesma”, acrescenta o músico.

Além da conhecida “Gymonpédie nº 1 – primeira de três peças compostas para piano entre 1888 e 1895 –, peças como “Trois Morceux en Forme de Poire” e “ Sarabande nº 1” estão no disco ao lado de outras cinco composições do músico que passou por dificuldades financeiras no fim do século 19, sendo ajudado pelo amigo Claude Debussy (1862-1918), que acaba por contribuir de forma decisiva na divulgação da obra de seu colega.

André Balboni e os músicos que formam o quarteto que gravou o álbum
André Balboni e os músicos que formam o quarteto que gravou o álbum

“Não é raro encontrarmos bons músicos experimentando Erik Satie em estilo jazzístico. Mas certamente não é essa a proposta incomum de ‘Satie for Lovers’, onde se percebe um fluir livre e desinteressado de orgulho, uma via aberta entre o jazz e o pop”, opina Cynthia Gusmão, coordenadora musical da Rádio Cultura.

Os arranjos assinados por Balboni apontam para caminhos musicais plenos em simplicidade. Produtor musical do álbum, o pianista optou pela formação de quarteto recrutando para acompanhá-lo missão os instrumentistas Richard Firmino (trompete). Paulo Bira (contrabaixo) e Bruno Iasi (bateria). Na capa do álbum, o artista segura uma pera, numa referência explícita a um dos temas de Satie que é “Trois Morceux en Forme de Poire” (três pedaços em formato de pera, numa tradução livre do francês). Ouça o trabalho aqui:

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