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Humberto Teixeira tem seus baiões cantados por gigantes da MPB

Capa do álbum 'O Doutor do Baião - Humberto Teixeira - Foto: Divulgação
Capa do álbum ‘O Doutor do Baião – Humberto Teixeira – Foto: Divulgação

Neste junho sem arraiais pelo país, a Biscoito Fino resgata de seu baú de preciosidades uma bolacha com doses fartas de afeto para os nossos ouvidos e lança nas plataformas digitais o lindíssimo álbum “O Doutor do Baião – Humberto Teixeira” (2005), que só havia sido editado em formato físico. Este projeto belíssimo carece de adjetivos para ser classificado, mas basta resumi-lo a dois aspectos: o time de artistas participantes do tributo ao grande compositor cearense (1915 – 1979) e os arranjos elegantíssimos com a assinatura de Wagner Tiso. Tudo à merecida altura de alguém que presenteou o Brasil com os mais belos baiões e xotes que se tem notícia, “Asa Branca”, “Baião”, “Paraíba”, “Respeita Januário”, “Que Nem Jiló” e tantas outras obras-primas do cancioneiro nordestino.

Maria Bethânia, Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Gal Costa, Lenine, Rita Beneditto, Zeca Pagodinho, Elba Ramalho, Carmélia Alves e Cordel do Fogo Encantado revezam-se nas 18 faixas do álbum, que reúne grandes sucessos de Humberto Teixeira e seu grande parceiro Luiz Gonzaga e outros menos frequentes como Sivuca e Lauro Maia. Mais da metade do álbum foi gravada ao numa apresentação no Teatro Rival, em agosto de 2002. E restante foi registrado feito em estúdio. Confira esta delícia de álbum e sua overdose de afeto aqui:

Início precoce

Cearense de Iguatu, Humberto despertou precoce vocação musical. Aos seis anos, tocava musette (versão francesa da gaita de foles escocesa). Aprendeu também flauta e bandolim. Com 13 anos, depois de ter editado sua composição “Miss Hermengarda”, tocava flauta na orquestra que musicava os filmes mudos no Cine Majestic de Fortaleza. Cinco anos depois, já no Rio de Janeiro, foi premiado com “Meu Pecadinho” num concurso de música carnavalesca promovido pela revista O Malho.
Mas sua carreira musical era errante e incerta.

Formou-se em direito e reza a lenda que deixou de lado a carreira de advogado quando Luiz Gonzaga apareceu em seu escritório. em agosto de 1945. Os dois nordestinos radicados na Cidade Maravilhosa, meca política e cultural brasileira, estavam dispostos a valorizar os ritmos nordestinos, como o xote e o baião, nacional e internacionalmente. O primeiro sucesso da dupla foi “No Meu Pé de Serra”, que em “O Doutor do Baião” ganha leitura de Gilberto Gil. Dois anos depois, compuseram a clássica “Asa Branca”, que ganhou versão de Maria Bethânia para o projeto. O resto da história são canções imortais.

Humberto Teixeira - Foto: Reprodução
Humberto Teixeira – Foto: Reprodução

Em 1954, no auge de sua popularidade, Humberto Teixeira elegeu-se deputado federal pelo Ceará. O então candidato percorreu o serão do estado tendo como cabo-eleitoral ninguém menos que seu grande parceiro Luiz Gonzaga.  No parlamento, levantou bandeiras importantes para a classe artística, sobretudo as relacionadas a defesa dos direitos autorais. Conseguiu aprovar uma lei, que acabou lavando seu nome, que estimulava a divulgação da música brasileira no exterior, através de caravanas musicais custeadas pelo governo federal. Valdir Azevedo, Francisco Carlos, Dalton Vogeler, Leonel do Trombone, o guitarrista Poly, a cantora Marta Kelly, o acordeonista Orlando Silveira, o Conjunto Radamés Gnatalli, o maestro Quincas e seus Copacabanas, Vilma Valéria, Carmélia Alves, Jimmy Lester, Léo Peracchi e Sivuca estão entre os nomes que levaram sua arte além de nossas froneiras.

Luiz Gonzaga não foi o único a interpretar as canções de Humberto Teixeira. O compositor foi gravado, entre outros, por Dalva de Oliveira, Carmélia Alves, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Fagner, Caetano Veloso, Gal Costa, Elba Ramalho, etc.

Documentário resgata trajetória

Sua vitoriosa trajetória artística é lembrada no documentário “O Homem que Engarrafava Nuvens” (2009), dirigido por Lírio Ferreira. Produzido por sua filha, a atriz Denise Dumont, o filme reúne importantes depoimentos, entre outros, de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Bebel Gilberto, Daniel Filho, Elba Ramalho, Otto e David Byrne, o líder do Talking Heads, que é aficcionado da música brasileira. Assista o filme aqui com a gente:

 

 

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