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Mahmundi e seu eterno aprendizado

Capa do álbum ‘Mundo Novo’, de Mahmundi – Foto: Divulgação

Uma das grandes revelações da MPB nos últimos anos, a cantora, compositora e produtora Mahmundi acaba de lançar “Mundo Novo”, o terceiro álbum de sua carreira. Seu disco de estreia, “Mahmundi” (2016), ganhou o prestigiado Prêmio da Associação Brasileira dos Críticos de Arte (APCA) do mesmo ano, colecionando elogios da crítica. Em 2018, “Para Dias Ruins”, o segundo álbum, recebeu indicação ao Grammy Latino na categoria Melhor Álbum de Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa.

Ao longo de suas sete faixas, “Mundo Novo” é um instigante passeio pelas paisagens sonoras concebidas pela artista e nos provoca a refletir sobre o valor da diversidade, do exercício do convívio não como uma obrigação de cada indivíduo, mas de uma condição inerente à própria vida. “Eu me conheço mais / Olhando pra você / Vou descobrindo quem eu sou”, canta Mahmundi em “Convívio” (Paulo Nazareth), dando a senha para quem se dispõe a conhecer o mundo de Mahmundi, que assina três das sete faixas deste trabalho “Nova TV” e a bossa pop “Nós de Fronte” (com Castello Branco) e o reggae “Sem Medo” (com Felippe Lau), produzida a quatro mãos por Mahmundi e Davi Moreira. O lado intérprete desta versátil cantora na releitura da baianíssima “No Coração da Escuridão” (Dadi e Jorge Mautner), que ganha uma gostosa versão beat floreada com acordes de guitarra slide. Ouça “Mundo Novo” aqui:

Suas regravações costumam arrancar elogios dos artistas que gravaram as canções anteriormente, entre as quais “Cariocas” (Adriana Calcanhotto) e  “Sangue Latino”, sucesso dos Secos e Molhados – produzida para o seriado “As Five”, da Rede Globo – ou “Coisa Boa” (Bruno Cunha Silva / Edinei Moreira Da Silva Ferreira / Thiago Soares), gravada por Diogo Nogueira.

Paralelo a seu trabalho como cantora e compositora, Mahmundi costuma produzir trabalhos de alguns colegas como os de Liniker e os Caramelows e Plutão Já Foi Planeta.

Até os 20 anos, Mahmundi não conhecia música fora da cena gospel - Foto: Reprodução
Até os 20 anos, Mahmundi não conhecia música fora da cena gospel – Foto: Reprodução

Criada em família evangélica, a menina Marcela Vale (seu nome de batismo) começou a cantar música gospel nos cultos de sua igreja no subúrbio carioca de Marechal Hermes e mal conhecia a produção musical fora do eixo religioso. Só foi conhecer o grunge do Nirvana, por exemplo, aos 20 anos (hoje ela tem 33). “Quando meu pai se converteu, ele quis mudar de vida. Jogou fora todos os discos, de Kraftwerk a Led Zeppelin, e quis fazer um detox na gente”, disse ela, em entrevista ao jornalista Silvio Essinger na ocasião do lançamento de seu primeiro álbum.

Essa lacuna na formação musical foi preenchida com muita curiosidade e pesquisa. Seu apurado gosto musical foi aperfeiçoado, curiosamente, no período em que Marcela deixara os vocais e a guitarra da banda Velho Irlandês, em 2010. Trabalhando como técnica de áudio no Circo Voador, foi absorvendo conhecimento e influências que podem vir tanto do pop rock oitentista quanto da música eletrônica ou do R&B, por exemplo.

E assim foi se construindo o mundo de Marcela, o Mahmundi, expresso numa sonoridade plena de uma contemporaneidade alternativa que não peca nas invencionices. Nesse novo projeto, Mahmundi assume a voz, guitarras, sintetizadores e parte da produção. E, de forma intuitiva, também brincou com um pouco de bateria e alguns outros instrumentos. E assim nasceram os EPs “Efeito das Cores” (2012) e “Setembro” (2013), que antecederam o álbum de estreia.

 

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