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Morre Rubinho, eternas baquetas do Zimbo Trio

Durante mais de quatro décadas, o Zimbo Trio foi o principal grupo do Brasil a fundir o jazz com a música brasileira. Não que faltassem outros nomes espetaculares, como o Tamba Trio, o Bossa Três e tantos outros, mas o Zimbo teve a seu favor a longevidade e, com isso, uma extensa carreira fonográfica e nos palcos com altíssima qualidade. A energia das baquetas do ZT entre 1964 e 2010 ficou a cargo de Rubens Barsotti, o Rubinho baterista que pertence a um Olimpo onde figuram Edison Machado e Milton Banana, por exemplo.

Zimbo Trio - Foto: Reprodução
Rubinho no Zimbo Trio em sua formação original dos anos 1960 – Foto: Reprodução

Antes e durante a fantástica carreira do Zimbo, Rubinho tocou com alguns dos nomes mais expressivos do Brasil e do jazz estadunidense, a saber: Tommy Flanangan, Ben Tucker, Kenny Dorhan, Zoot Sims, Al Cohn, Oscar Peterson, Gato Barbieri, Joe Pass, Stan Getz, Agostinho dos Santos, Dick Farney, Heraldo do Monte, Elis Regina, Elizeth Cardoso, Jacob do Bandolim e grande elenco. Uma seleção mundial capaz de preencher páginas de livros.

Também com o Zimbo, Rubinho fundou em 1973 o CLAM (Centro Livre de Aprendizagem Musical), escola artística decisiva para formação de inúmeros músicos em atuação por todo o Brasil. O Centro permanece na ativa, tocado pelo incansável e maravilhoso pianista Amílton Godoy.

Em 2010 Rubinho deixou o Zimbo Trio por problemas de saúde, posteriormente passando a viver numa casa de saúde em decorrência de Alzheimer. Três anos antes, o baixista Luiz Chaves havia falecido. Amílton manteve o trio com outros músicos de talento e gravou álbuns. Entretanto, aconteceu uma disputa judicial promovida pelos parentes de Rubinho, envolvendo o nome do Zimbo. Sem pretender brigar pelo que lhe pertenceu por toda a vida, Amílton continua a arrancar aplausos em todas as suas apresentações. É impossível tirar-lhe a arte do Zimbo Trio. E Rubinho, que faleceu nesta quarta-feira (15), foi também artífice de um conjunto que sempre manteve a música do Brasil em seu lugar de ofício: o topo.

Vejam Rubinho em ação em encontro espetacular com outro gênio da bateria que foi Wilson das Neves, durante a Expomusic 2007, no stand da Orion Cymbals.

 

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