MPBmúsica eletrônica

Mumbaata + Computambor = baião com beat

Mumbaata

Lá nos anos 1950 Jackson do Pandeiro, o rei do ritmo, já nos dava a receita: chiclete se mistura com banana. Hoje, em 2021, a fusão do forró com outras batidas ganha uma nova roupagem. Acaba de sair nas plataformas digitais o EP “Dark Wings”, uma interessante releitura de ritmos nordestinos com beats eletrônicos. O projeto marca a parceria da Mumbaata com a Computambor, duas duplas de produtores de live acts, um tipo de jam session feita ao vivo como se fosse uma banda (com laptops e instrumentos sincronizados) e uma gravação de tudo que foi feito.

“Fora o funk que já nasceu nos beats, nossos ritmos nativos, todos de matrizes africanas cabem, e muito bem na palheta de cores sonoras da música eletrônica. Por serem contagiantes, vivos e falarem ao coração da gente, falamos para os quatro cantos do mundo quando utilizamos uma linguagem musical em comum: os beats”, explica o baterista e produtor Marcelo Vig, que com o consagrado percussionista Marcos Suzano forma o Computambor. “Foi uma experiência intensa. Gravamos muita coisa com aquela parafernália toda e pode vir coisa nova por aí”, acrescenta Suzano, o músico brasileiro que revolucionou a forma de se tocar o pandeiro ao mudar o posicionamento dos dedos na batida do instrumento.

E os dois somaram forças ao premiado duo Mumbaata, formado por Lennox Hortale e Pedro Poyart, destaque da cena eletrônica nacional. Os DJs Mizomo e Nicolas Pera assinam os remixes. O resultado foi uma mistura de ritmos brasileiros com beats e sintetizadores, unindo forró, eletro, house, afrohouse na vibração de cura e vacinas, na energia dos encontros e reencontros que virão.

“Dark Wings” (asa negra, em inglês) é assumidamente inspirado na clássica “Asa Branca”, o mais popular dos baiões, eternizado por Luiz Gonzaga. Virtuoso de instrumentos de sopro, Carlos Malta participa de algumas faixas tocando flautas e pífanos, compondo ainda mais essa paisagem sonora agreste-eletrônica. Ouça este interessante trabalho aqui:

“Os live acts são tendência mundo afora, e a união dessa galera não fica nem um pouco fora de contexto, afinal de contas a música brasileira também pode ser eletrônica”, defende Vig.

A fusão de elementos percussivos mais orgânicos com os timbres melódicos, somada com a harmonia dos vocais originais, gera uma mistura intensa e energética adequada para todo o tipo de celebração.
E ‘Dark Wings’ é uma oportunidade especial em poder mostrar que a música brasileira também pode ser eletrônica”, reforça Vig, acrescentando que um dos grandes desafios para Mumbaata e Computambor foi transformar a poliritmia da música no remix 4×4.

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