Os 50 anos de ‘McCartney’, o primeiro voo solo de Sir Paul

Paul McCartney e a cadela Martha

Os que me conhecem sabem que, apesar de apreciar a música como um todo em suas mais diversas manifestações, tenho formação roqueira e uma declarada predileção pelos Beatles. Sabemos bem da influência dos Fab Four para praticamente tudo que fez no universo do rock e do pop nas décadas que se seguiram desde então. E mesmo separados, seu integrantes trilharam interessantes caminhos musicais artísticos à sua maneira. Podem discordar de mim, mas acredito que Paul McCartney tenha trilhado a mais bem sucedida trajetória sem, necessariamente, render-se às fórmulas já apresentadas pelos próprios Beatles. E neste mês de abril era lançado, há 50 anos, seu primeiro álbum solo, após a separação oficial do grupo que revolucionou a música para sempre. Com 13 faixas, o LP “McCartney”, foi definitivamente um trabalho solo: Paul tocou todos os instrumentos e gravou todos os vocais para o compilado. Considerada o grande sucesso do álbum, a canção “Maybe I’m Amazed” ganhou um vídeo especial no canal oficial do cantor, no YouTube, como parte das celebrações da data.

Linda McCartney e a adorável cadela Martha - Foto: Reprodução
Linda McCartney e a adorável cadela Martha – Foto: Reprodução

“Maybe I’m Amazed” foi escrita pelo artista em homenagem à sua primeira esposa, a americana Linda McCartney, e apesar de não ter sido lançada como single tornou-se um dos maiores hits das incontável seleção de sucessos de sua carreira solo. O clipe de “Maybe I’m Amazed” é uma bela sucessão de fotografias da casal com a enteada Heather (filha do casamento anterior de Linda), da bebê Mary, a primeira filha de Paul, cuja foro aparece na contracapa do álbum, e até da cadela Martha, a old english sheepdog, inspiração da canção “Martha, My Dear”, do álbum branco dos Beatles.

Imagens do músico no estúdio são mescladas com fotos de sua fazenda na Escócia, onde a família criava ovelhas, patos, gansos, galinhas, cães e gatos. Foi, aliás, nessa época que Paul e linda tornaram-se adeptos do vegetarianismo. Paul é considerado um dos grandes símbolos das campanhas de defesa dos direitos dos animais. Boa parte das fotos em que Paul aparece foram clique de Linda McCartney que era uma excelente fotógrafa. Aliás, trabalhou para a Rolling Stone Magazine até conhecer o então beatle a quem passou a acompanhar nos palcos durante a carreira solo pilotando os teclados.

‘McCartney’ trouxe outro sucesso

Capa do LP "McCartney", o primeiro álbum solo do ex-beatle, lançado em 1970 - Foto: Reprodução
Capa do LP “McCartney”, o primeiro álbum solo do ex-beatle, lançado em 1970 – Foto: Reprodução

“McCartney” também trazia “Every Night”, outra grande obra macartiana, e instrumental “Momma Miss America”, um blues potente no qual o artista mergulha em surpreendentes improvisos na guitarra e nos teclados. Para um álbum com 13 faixas, Paul ainda gravaria outros dois temas instrumentais: a balada “Singalong Junk” e a psicodélica “Kreen-Akrore” inspirada num documentário britânico sobre a tribo indígena brasileira que até 1973 mantivera-se completamente isolada do homem branco. Nesta faixa, Paul tocou o baixo elétrico, piano, órgão, bateria e guitarra e ainda produziu os efeitos sonoros dos ruídos de animais e do arco e flecha em casa. Contou ainda, na época, que chegou a acender uma fogueiro dentro do estúdio doméstico para entrar um clima tribal. O álbum foi gravado quase todo na casa de Paul em Londres, mas contou com o apoio logístico dos estúdios Morgan e Abbey Road. Ouça o excelente “McCartney”, em versão remasterizada emn 2011 e com sete faixas extras aqui:

Ao lançar o trabalho, Paul anunciou oficialmente sua saída dos Beatles após meses de conflitos internos com John Lennon, George Harrison e Ringo Starr em torno de assuntos administrativos. E maio, já com a banda desfeita, seria lançado “Let it Be”, que já nascia póstumo. Sua atmosfera pesada não tira em nada seu brilho, no entanto. Em carreira solo, com mais de 20 álbuns lançados, Paul colecionou inúmeros sucessos, e posições de prestígio nas paradas musicais. Foi ainda o primeiro integrante dos Beatles a ostentar publicamente o título de “Sir”, honraria que lhe foi concedida pela Rainha Elizabeth II, nos anos 1960.

Paul McCartney - Foto: Divulgação
Nos dias de hoje, Paul McCartney esbanja carisma por onde passa – Foto: Divulgação

Aos 77 anos, esbanja energia e carisma por onde passa. Paul se apresentou no Brasil em diversas ocasiões. A última vez foi no ano passado, quando aterrissou em São Paulo e Curitiba com a turnê “Freshen Up”, onde fez três shows. Impecáveis como sempre. Paul McCartney é daqueles artistas que entregam no palco o que prometem.

Em tempos de pandemia, Paul está em casa se cuidando. Sua última aparição pública foi no último dia 18 durante participação no festival de música online “One World: Together At Home”, organizado pela Global Citizen e pela Organização Mundial de Saúde (OMS), com a curadoria da cantora Lady Gaga. O ex-beatle cantou “Lady Madonna”, uma ode à maternidade, e que ele dedicou aos profissionais de saúde que estão na linha de frente do combate ao coronavírus, em particular as enfermeiras.

 

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