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Pedro Miranda prova que Gávea também é lugar de bamba

Pedro Miranda_Pepe Schettino
Capa do álbum 'Da Gávea para o Mundo', de Pedro Miranda _ Foro: Divulgação
Capa do álbum ‘Da Gávea para o Mundo’, de Pedro Miranda _ Foro: Divulgação

Gávea celeiro do samba? Como assim? Essa história tem nome e sobrenome e atende por Pedro Miranda. O cantor, músico e compositor transformou o bairro onde mora num polo cultural carioca, com eventos como o Samba da Gávea, o Forró da Gávea e o Choro na Rua. E seu novo álbum, já nas plataformas digitais, é a prova material de tudo isso. É só conferir abaixo. Produzido por Luís Filipe de Lima, um violão sete cordas respeitadíssimo nos meios de samba e choro cariocas, “Da Gávea para o Mundo” é dominado pelo trabalho autoral de Pedro, com parceiros de primeiro time.

Estão lá desde os companheiros de sempre João Cavalcanti na divertida e quase rumba “Pó Pará”; Alfredo Del-Penho na poética “Desengaiola”; e Moyseis Marques em “Meu Pecado é Sorrir” até parceiros de outras paragens, como o paulista Jean Garfunkel (“Remanso de Avô”, que conta com o piano, gravado de Portugal por Carlos Fuchs) ou o novo parceiro feito em Jericoacoara (CE), Ricardinho Matos, que divide com ele os vocais em “De Mirada em Mirada”, um samba que vira xote, ou vice-versa.

Pedro abre parceria também com Cristóvão Bastos na linda “Vontade de Sair”, que poderia ser o hino de todos nós nesse momento pandêmico – e Cristóvão encabeça o time de grandes instrumentistas que participaram do trabalho.
Os agitos culturais inventados por Pedro no seu bairro estão aqui bem representados por “Camboinhas” (dele com Ricardo Linares, hit no Forró da Gávea), no arranjo de Gilson Santos para a formação de músicos sempre presentes nos eventos do Choro na Rua (em “Meu Pecado É Sorrir”) e na cereja do bolo, desta vez não autoral: o desconhecido “Samba da Gávea” (João Batista de Oliveira e Osvaldo Lobo), gravado por Aracy de Almeida em 1940 e redescoberto pelo pesquisador Carlos Monte, pai da cantora e compositora Marisa Monte. Nesta faixa que evoca a qualidade das rodas se samba do bairro remontam há muitas décadas e todos os integrantes dos animados pagodes das segundas-feiras na Da Casa da Táta tocam e cantam, num arranjo vocal concebido por Luís Filipe de Lima. Na live de lançamento do álbum, Pedro Miranda conta sua teoria curiosa sobre esse samba de ares proféticos.

“Umbigo”, música feita pelo badalado violonista baiano Cézar Mendes e por Arnaldo Antunes, dedicada a um dos netos de Caetano Veloso, traz nos vocais a pureza da resposta das crianças de Pedro Miranda (as gêmeas Amália e Olivia e o caçula Antênio), com o violão de Cézar Mendes e arranjo de cordas de Gilson Santos. Essa faixa é um carinho gostoso de ouvir.

Fecha o álbum uma parceria de Luís Filipe de Lima com Joyce Moreno que até parece escrita pelo próprio Pedro Miranda. O samba-choro “Da Gávea Para o Mundo”, com arranjo de sopros de Eduardo Neves, conta a chegada de Pedro ao bairro e todo o seu trabalho de construção de uma rica identidade musical para a região. “Luís Filipe fez a melodia e me sugeriu o título, e assim foi feita a letra – afinal, foi um jeito que encontramos para o nosso herói contar a própria história”, conta Joyce Moreno, uma assídua frequentadora e apoiadora dos “agitos” de Pedro em prol da boa música não apenas na bucólica Gávea. para quem quiser entrar no clima das rodas comandadas por Pedro Miranda, assistam a live de lançamento do álbum exibida neste sábado (27) no YouTube, com os músicos Luis Barcelos (cavaquinho e bandolim), Dudu OLiveira (flauta e sax), Rafael Mallmith (violão 7 cordas) Paulino Dias (percussão) e Bruno Barreto (percussão).

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