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Roberto Ribeiro viverá eternamente

Roberto Ribeiro

Por Rachel Valença*
Especial para o Na Caixa de CD

Neste dia 20 de julho Roberto Ribeiro completaria 80 anos de vida. Gostaria de vê-lo com essa idade, mas faz já muito tempo que nos deixou, quando contava apenas 55 anos. Aos seus admiradores e amigos só restarão, nessa data, as lembranças.
A mais aguda das lembranças é a sua voz. Eu a conheci primeiro como puxador de samba-enredo no Império Serrano no início da década de 1970. Puxador, nome que se dá ao intérprete que canta em microfone amplificado o samba-enredo de uma escola de samba durante o desfile, embora seja considerado por muitos pejorativo – o grande Jamelão detestava ser chamado assim –, se aplica a Roberto Ribeiro mais do que a qualquer outro. O termo é bastante expressivo, porque sugere algo mais do que o simples ato de cantar: o puxador tem ainda a missão de animar, empolgar o componente, liderando o desfile. Roberto Ribeiro, que inaugurou a prática de cantar o samba não do alto do carro de som, mas sim pisando o asfalto da Avenida, dirigindo-se ao componente com estilo “olho no olho”, é o eterno puxador, aquele que jamais será esquecido por sua escola, o Império Serrano, onde ocupou o posto de 1970 a 1981.

Roberto Ribeiro cantou os sambas da Império Serrano por 11 anos - Fotos: Acervo Pessoal
Roberto Ribeiro cantou os sambas do Império Serrano por 11 anos – Fotos: Acervo Pessoal

Acontece que esse mesmo puxador tornou-se, com o tempo, um cantor de sucesso, com uma respeitada trajetória de sambista e compositor. Seus discos estavam no topo das listas de mais vendidos, seus shows por todo o país atraíam multidões. Transformado em ídolo popular não apenas pela voz doce e potente, mas também pela presença simpática e elegante, nunca abriu mão de sua condição de sambista. Conhecia seu público e sabia o que lhe agradaria, desde novas composições de amigos e parceiros até a recuperação de sambas como “Estrela de Madureira”, que, derrotado na disputa de samba-enredo no carnaval de 1975, com enredo sobre Zaquia Jorge, estaria fadado ao esquecimento, não fosse a gravação de Roberto Ribeiro.
O sucesso e a fama, com todas as suas decorrências, em nada mudaram o homem simples, o amigo generoso, o sambista alegre que encantava os que o cercavam. Tive a felicidade de ser, mais do que mera admiradora, amiga próxima dele e de sua família. Fomos vizinhos em um período de nossa vida. Nessa qualidade (de vizinho não se consegue esconder nada!), sempre testemunhei sua simplicidade, seu apego a um tipo de vida que era a mesma de antes, com os hábitos e prazeres de um homem do povo, sem pretensão, sem pose, com verdade.
Mesmo depois que seus compromissos profissionais o afastaram da missão de puxar o samba do Império Serrano na Avenida, nunca se afastou de sua escola. Frequentava a quadra como qualquer de nós, sempre que possível desfilava. Amou o Império Serrano até seu último dia de vida. Amor correspondido na mesma proporção e para sempre: em nossa escola de samba Roberto Ribeiro viverá eternamente.

*Escritora, pesquisadora e ex-presidente do Império Serrano. Autora do livro “Serra, Serrinha, Serrano”, a biografia oficial da escola

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