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Samba da Gávea tem sua história registrada em documentário

Samba da Gávea

“Vamos chutar lata junto?” Foi assim que, em 2017, Pedro Miranda convidou um time de amigos para ocupar com música a Da Casa da Táta, pequeno e aconchegante lugar de bolos e cafés no bairro carioca da Gávea. A ideia era simples: aproveitar a segunda-feira, tradicionalmente o dia menos concorrido na agenda dos músicos, para fazer uma roda de samba livre, íntima, descompromissada e acústica. Surgia assim uma nova tradição, contada no documentário “Samba da Gávea – Prendi Meu Coração Nesse Lugar”, história costurada por imagens de arquivo, depoimentos dos integrantes e cinco clipes originais. O filme tem exibição neste domingo (21), às 15h, e segunda (22), às 20h, no canal do Youtube do Samba da Gávea.

Até ser calada pela pandemia, a roda tornou-se célebre pela quantidade (e qualidade) das participações especiais, com muitas histórias e todas não caberiam no doc. Mas a seleção de casos, imagens e personagens trazidos no filme dá a devida dimensão do que acontece nesses encontros semanais que parece uma “mistura de pelada semanal e terapia de grupo”, como costumam definir os integrantes Alfredo Del-Penho (voz e violão), Bruno Barreto (voz, repique de anel e tambor), João Cavalcanti (voz, tantã e tamborim), Luís Filipe de Lima (violão de 7 cordas), Paulino Dias (voz, agogô, tamborim e surdo), Pedro Miranda (voz, pandeiro e reco-reco) e Thiago da Serrinha (voz e cavaquinho).

Destaque para a descoberta de novos repertórios que transbordassem fronteiras imaginárias, como “Chique Demais”, canção de Mosquito e cantada por ele no filme; da visita de Pretinho da Serrinha, que se desdobraria na sua parceria inaugural com o vizinho Thiago (num improvável itinerário Serrinha-Serrinha via Gávea) à primeira exibição pública do potente hino feminino “Uma Mulher”, canção de Ana Costa e Zélia Duncan cantada por ambas; da seresta-pescaria de Alfredo Del-Penho, fisgando a gigantesca cantora Dóris Monteiro pra roda ao gurufim cancionado para Dona Ivone Lara – sem que se soubesse que ela fazia a passagem naquele momento: “porque o tempo é imune a si mesmo”, como diz o poema “Inimigo Nosso”, de Aldir Blanc, recitado comovidamente por Vera Mello.

Esse contorno delineado pelo documentário passa ainda por cinco clipes filmados na própria Da Casa da Táta, com os integrantes participando separadamente: as inéditas “Festa de Erê” (Thiago da Serrinha), “Azimute” (João Cavalcanti), “Vida de Moleque” (Thiago da Serrinha) e “Mana Que Emana” (Thiago da Serrinha e Bruno Barreto), além da regravação do clássico “Onde a Dor Não Tem Razão” (Paulinho da Viola e Elton Medeiros). As cinco faixas fazem parte de um EP, que vai ser lançado em breve nos aplicativos de música. “Como a gente tá gravando cada um de uma vez, a gente tem os outros tocando no nosso ouvido, pra ter uma guia e chegar um pouquinho no clima que a gente tinha na roda… Que a gente tem na roda, porque a roda vai voltar”, avisa Pedro Miranda, mirando no momento em que se possa “reabrir as janelas da vida” para continuar a contar os novos capítulos do Samba da Gávea.

 Dirigido por Eduardo Hunter e produzido pela Cambuci Produções, “Samba da Gávea – Prendi Meu Coração Nesse Lugar” teve patrocínio dos governos federal e estadual com recursos da Lei Aldir Blanc.

 

 

 

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