Vangelis e seu tempo

Vangelis

Por Paulo Andel

Morreu Vangelis. Fez grandes álbuns em seus anos finais, completamente desconhecidos pelos brasileiros, como “Rosetta” (2016), “Nocturne” (2019) e o derradeiro e grandioso “Juno to Jupiter” (2021). Teve uma carreira gloriosa. Todos os garotos do meu tempo em Copacabana cresceram ouvindo Vangelis, fosse no rádio ou nas trilhas sonoras de cinema como nas grandiloquentes “Carruagens de Fogo” e “1492: Conquest of Paradise” ou na distópica “Blade Runner”.
É assim que fica a memória dele para mim: as imagens de Copacabana entre 1979 e 1984. A praia à noite (como era bom!), o Art Copacabana, o Condor, o Roxy. Ou mexer e remexer no dial do rádio grande vermelho que ganhei do meu pai, cuja morte está completando 14 anos.
Ainda tinha Vangelis na porta da loja Billboard, ao lado da Modern Sound. É que ainda faço parte da geração dos garotos que paravam nas portas das lojas de discos, admirando os lançamentos com a língua para fora, igualzinho aos cachorros diante da frangueira de padaria.
Não é fácil explicar a quem acha que o streaming é tudo, mas tudo bem: é preciso aceitar a tecnologia e a modernidade sem ofender ninguém.
Só queria dizer que o meu tempo é outro, é o tempo de Vangelis. O tempo de João Gilberto na trilha sonora da novela, de Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti em shows de arrepiar no outro Circo Voador, literalmente diversão de pobre. Do jovem Barão Vermelho tocando na Boate Holigay, no Edifício Plaza do Passeio Público, hoje retrofitado. Tempo dos cinemas lotados com “Rio Babilônia”.
Eu, Fred e Luiz Magno namorando as capas de discos na Billboard, depois na Modern Sound, muito antes da ampliação. O Marco Antônio morava em frente. Parece outro dia mas já tem 40 anos. É que a juventude escorre pelo ralo sem que consigamos perceber. Desse lote todo, só sobrou o Marco e, ainda assim, em conversas anuais. Ok, segue o jogo.
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