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Zé Carlos Bigorna lança seu primeiro álbum autoral

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Capa do álbum 'Yramaia', de Zé Carlos Bigorna - Foto: Divulgação
Capa do álbum ‘Yramaia’, de Zé Carlos Bigorna – Foto: Divulgação

Radicado no Rio há exatos 50 anos, o saxofonista e flautista Zé Carlos Ramos, o Bigorna, é um dos mais festejados instrumentistas brasileiros. Já dividiu palco e estúdio com grandes nomes da MPB e só agora lança seu primeiro álbum autoral. Ele já havia gravado outros quatro álbuns – “Sax Brazil” (2010), “Flute From Brazil” (2012), “Sax in Bossa” (2012) e o EP “Registros” (2016), com suas interpretações para músicas de outros autores. Com 11 faixas instrumentais, “Yramaia” acaba de chegar às plataformas de música com distribuição da Biscoito Fino.

“Este disco é o registro de minhas músicas com meus parceiros mais constantes. Tenho uma carreira longa de participação em inúmeros discos de artistas e bandas, mas ainda não tinha um disco solo”, conta o músico. “Tive a colaboração preciosa do Maestro Jota Moraes, que fez a maioria dos arranjos, direção musical e ainda tocou piano e vibrafone no álbum. Meu amigo David Brinkworth gravou, mixou, masterizou e me ajudou na produção, com sua vasta experiência na gravadora Far Out, que já lançou Marcos Valle, Ipanemas, Azimuth, etc. Meu parceiro mais constante, Fernando Moraes, também me ajudou na produção”, completa o músico, listando os colaboradores.

Músicos como Romero Lumambo, Marlon Sette e os amigos do Azymuth fazem participações no álbum.
“A palavra Yramaia significa mãe do mel, rio de mel, na linguagem indígena. Também simboliza a união dos povos pela doçura e delicadeza. Unir, aglutinar. Vi esta palavra pela primeira vez num apiário da minha prima, em Porangaba (SP). Jaquinho Morelenbaum tocou cello, Lula Galvão violão e eu toquei flauta afinada em Sol”, conta Zé Carlos, ao falar da faixa-título.

Desde meados dos anos 1970, Bigorna participou de tantos trabalhos, entre discos e apresentações ao vivo, que fica até difícil saber com qua artistas ainda não tocou.

Nascido em Porongaba, interior de São Paulo, Bigorna veio para o Rio em 1971 a convite de José Roberto Bertrame, do grupo Azymuth, com quem compôs vários temas. Daí em adiante gravou com artistas como Alcione, Jorge Ben Jor, Egberto Gismonti, Gal Costa, Caetano Veloso, Gilberto Gil, João Bosco, Rita Lee, João Donato, Djavan, Roberto Carlos, Marina Lima, Chico Buarque, Edu Lobo, Marcos Valle, além de tocar durante quatro anos na banda de Hermeto Paschoal. Foi durante o período de oito anos em que tocou com o Barão Vermelho que acabou rebendo o apelido de Bigorna.

Zé Carlos também integrou o naipe de metais das banda dos programas The Voice ,The Voice Kids e Superstar, na TV Globo, e segue tocando com músicos da nova geração, como Kassin e David Moraes. Neste ano foi um dos músicos convidados pelo colega Leo Gandelman para participar do projeto Quadrilátero, que foi realizado no CCBB Rio de Janeiro e, a partir deste mês, segue para Belo Horizonte, Brasília e São Paulo. 

Ouça aqui o álbum e veja, abaixo, os comentários de Zé Carlos Bigorna para cada uma das suas criações compostas para este trabalho:

Nova Ipanema – Minha e do Zé Roberto Bertrame. Já tinha sido gravada na década de 1980, em um disco solo dele. Foi feita num passeio pela praia de Ipanema e tem a participação especial de Paulinho Guitarra, Marlon Sette e Azimuth. Toquei sax tenor e barítono e fiz o arranjo, um funk samba.

La Niña Quer Bailar – Feita quando andava de bike, no Aterro do Flamengo, e vi uma criança dançando, alegre e feliz. Meus parceiros Rogê e Fernando completaram a música. Foi uma das últimas gravações do meu amigo e ídolo Laudir de Oliveira.

Zé Carlos Bigorna - Foto: Rudy Trindade
Zé Carlos Bigorna – Foto: Rudy Trindade

Tatuí – Parceria com Fernando Moraes, lembrando da cidade que me acolheu, onde prossegui minha carreira musical, estudando no Conservatório e fazendo bailes e apresentações. Toquei sax tenor.

A Bailarina e o Sonhador – Reflexões sobre a gravura de uma bailarina, em um  palco infinito. Participação muito especial de Wilson das Neves no berimbau, Maurício Einhorn na harmônica (gaita) e um solo lindo do Jotinha no vibrafone (parceria com JR Bertrame).

A Odalisca e o Tapete Voador – Inspirado no conto Aladim e a Lâmpada Maravilhosa. Uma odalisca no seu tapete, sobrevoando o mundo e  espalhando paz e amor. As cordas foram gravadas em São Petersburgo, na Rússia. Parceria com Fernando Moraes. Toquei flauta em Sol(G).

10% FUBÁ – Feita pra um amigo, depois de um passeio pelo seu sítio. Romero Lubambo arrasou com seu violão.

Yramaia – A palavra Yramaia significa mãe do mel, rio de mel, na linguagem indígena. Outros significados: união dos povos pela doçura e delicadeza. Unir, aglutinar. Vi esta palavra pela primeira vez num apiário da minha prima, em Porangaba. Jaquinho Morelenbaum tocou cello, Lula Galvão violão e eu toquei flauta em Sol(G).

Sappo Martelo / Cajuzinho do Brasil – Pequenas vinhetas inspiradas nas bandas de pife, nas temporadas tocando com o mestre Hermeto Paschoal e ouvindo o grande Luiz Gonzaga. Toquei pife, flautas e tive o auxílio luxuoso de Durval, que tocou zabumba, triângulo e outras percussões. É uma preparação para música Porangaba, que fiz com Fernando Moraes em homenagem a cidade onde nasci. Porangaba é uma palavra tupi, que significa bela vista ou pedra bonita. Participação especial de Bebê Kramer no acordeon. Toquei sax tenor nessa música.

Colina das Estrelas – Um lugar especial onde tinha um pedaço de chão, local privilegiado para olhar as estrelas e sonhar. Parceria com JR Bertrame, numa das visitas que fizemos.

Martinica’s Dream – Um lugar para se bailar com alegria e felicidade! Parceria com Fernando Moraes.

Padre Miguel (Reflexos da Mocidade) – Uma homenagem ao saudoso e lendário “mestre André”, diretor de bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel, escola da qual sou fã. Participação especial de Pretinho da Serrinha, que tocou todos os instrumentos de percussão.

 

 

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